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Especialista discute os efeitos do uso excessivo do celular nas crianças

SAÚDE DA CRIANÇA

Especialista discute os efeitos do uso excessivo do celular nas crianças

Na atualidade, os telefones inteligentes e outros dispositivos similares podem prejudicar a saúde na infância.

No Dia das Crianças, a preocupação dos especialistas volta-se para os efeitos que o uso excessivo de tecnologia pode ter no desenvolvimento de muitos infanto-juvenis. Afinal, o celular pode ser um presente dado às crianças por pais ou responsáveis, parentes e amigos. Quais são esses efeitos? O psicólogo Jakson Gama, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Rede Ebserh, indica que ainda não se conhecem todos eles, com exatidão, mas é possível estar atento aos que já são incontroversos entre os estudiosos.

As principais consequências do uso excessivo do celular são a dificuldade para concentrar-se, problemas de aprendizagem e menor empatia. “De fato, o celular, o videogame e a internet são ferramentas que começam a ser um problema quando acaba comprometendo a vida da criança. A utilização abusiva pode produzir falta de atenção, agressão e mudanças bruscas de humor, por exemplo”, explica o psicólogo.

“É possível diagnosticar uma criança com dependência de videogame e transtornos de jogos ligados ao celular. O uso excessivo vai causando olhos secos, afetando o sono e gerando lesões por esforço repetitivo. Aqueles que têm epilepsia podem sofrer uma convulsão”, acrescenta.

Nesse sentido, outra questão que preocupa o especialista é que as crianças possam estar sujeitas a uma trombose. “Existem registros de crianças que ficaram mais de 60 horas jogando no celular. Se elas não dormem muito bem ou sentem tédio das questões rotineiras, passam a não se concentrar em outras atividades senão aquelas do próprio aparelho eletrônico”, insiste.

Jakson observa, ainda, que as crianças não necessitam tanto do celular como, muitas vezes, os seus pais imaginam. “Se ele é usado de uma forma adequada, as estimulações podem ser positivas, já que existem vários tipos de jogos. Na saúde do idoso, por exemplo, existem jogos para prevenir o mal de Alzheimer”, pontua o profissional.

O psicólogo Jakson Gama. Foto: Ascom/HU-UFS.

Vício em telas

O psicólogo Jakson relata que há alguns profissionais que se especializam em realizar tratamento a crianças que se transformaram em “viciadas” em telas de dispositivos inteligentes. “Quando o celular deixa de ser uma ferramenta para auxiliar em aquisições cognitivas, ou seja, quando se transforma no problema do uso abusivo, há casos em que crianças e adultos são internados para tratamento”, narra.

Os casos mais graves de vício em celular são os de crianças com crises de ansiedade e rendimento escolar indesejado. “Muitas vezes, o problema começa com os próprios pais, que dão o celular à criança para que ela pare de chorar ou comece a comer. A gente vê isso com bastante preocupação inclusive no ambiente hospitalar”, conta o psicólogo, quem garante já ter orientado uma mãe que tentava acalmar o seu bebê, no leito hospitalar, com um celular. “Antes dos cinco anos de idade, a criança não tem a acuidade visual completamente definida. A Sociedade de Psiquiatria não recomenda o uso desses aparelhos antes dessa idade aproximada”, ressalta.

Para superar o “vício”, Jakson sugere aos pais o uso racional de celulares, videogames e objetos tecnológicos similares pelas crianças. “Aqui no HU-UFS, desenvolvemos uma tecnologia da informação que é o aplicativo HU Kids. São jogos mais simples, que evitam o formato de muita recompensa, para estimular a tendência de que a criança jogue apenas por um tempo sem dependência”, assevera.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a mesma cautela no uso dos celulares pelas crianças, já que alguns especialistas dizem que o estímulo dos aparelhos eletrônicos se assemelha ao de algumas substâncias psicoativas. É igualmente importante prestar atenção ao comportamento da criança, que pode tornar-se agressiva ou indiferente nas suas relações afetivas.

Sobre a Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.

Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede de Hospitais Universitários Federais atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

Por Luís Fernando Lourenço

Vídeo:

Saiba mais sobre o estudo da OMS.