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Dia do Idoso chama a atenção para impactos sociais e de saúde

SAÚDE

Dia do Idoso chama a atenção para impactos sociais e de saúde

Complexo HC possui ambulatório especial para pacientes da terceira idade

No dia 1º de outubro celebra-se o Dia Nacional do Idoso e Dia Internacional da Terceira Idade. No Brasil, a data comemora a vigência do Estatuto do Idoso e busca promover uma reflexão sobre a situação do idoso na sociedade em questões ligadas à saúde, convívio familiar, abandono, sexualidade, aposentadoria, entre outros temas fundamentais para essa parcela da população. 

 

Atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros, ou seja, 29,3 milhões de pessoas. E, em 2030, o número de idosos deve superar o de crianças e adolescentes de zero a quatorze anos. Em sete décadas, a média de vida do brasileiro aumentou 30 anos saindo de 45,4 anos, em 1940, para 75,4 anos, em 2015.

O número de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos vai mais que dobrar no mundo em 2050, passando de 900 milhões em 2015 para cerca de 2 bilhões. O envelhecimento da população tem impactos importantes na saúde, apontando para a importância de organização da rede de atenção à saúde para a oferta de cuidados longitudinais.

“A saúde na terceira idade depende do que fazemos ao longo da vida. O ideal é que nos cuidemos sempre, iniciando uma atividade física quando mais jovens, que tenhamos saúde mental, amigos, vivendo em um ambiente comunitário feliz e saudável. A gente não fica velho aos 60. Vamos envelhecendo durante a vida inteira, e se formos vivendo bem a vida inteira, chegaremos lá com saúde”, explica a médica geriatra Debora Christina de Alcântara Lopes, chefe do Serviço de Geriatria do CHC-UFPR.

 

Ambulatório do Idoso no CHC-UFPR

Os cuidados com os idosos têm diversas particularidades e sua abordagem deve ser individualizada e multidimensional. Há poucos serviços públicos especializados na área de Geriatria e Gerontologia no Paraná e a demanda por atendimentos é crescente.

Preocupado com essa realidade, o Complexo Hospital de Clínicas da UFPR criou, em  2018 um ambulatório específico para idosos e em 2019, um novo espaço para a instalação do Ambulatório Multiprofissional do Idoso que conta com dois consultórios de geriatria, um consultório de oftalmogeriatria, um consultório de otorrinogeriatria e distúrbios do equilíbrio, além do consultório e sala de reabilitação.

Elizabeth Bernardino, chefe da Divisão de Gestão de Cuidados do HC destaca que “o ambulatório multiprofissional do idoso é um marco para a geriatria no HC, pois temos muitos pacientes idosos e esse espaço faz a diferença no atendimento que prestamos”.

Assistência ampla ao paciente

O atendimento é baseado em um plano que abrange uma avaliação global em relação ao estado de saúde do paciente (incluindo estado nutricional e questões relacionadas à saúde mental e condições sociais do paciente) identificando demandas para fechar diagnósticos e indicar tratamentos.

“Muitas vezes eles saem daqui com plano para fazer atividade física, fisioterapia, indicação de nutricionista para que vejamos o que há de riscos e possamos agir em conjunto com as Unidades Básicas de saúde, onde vão continuar o acompanhamento. ”, explica a médica geriatra Debora Christina de Alcântara Lopes, chefe do Serviço de Geriatria do CHC-UFPR.  Segundo a médica, o trabalho do ambulatório tem trazido excelentes resultados: “há uma melhora drástica no quadro de saúde dos pacientes”, afirma a geriatra.

 

Saúde dos idosos durante a pandemia

São cerca de 200 novos pacientes atendidos no ambulatório do idoso mensalmente. Em 2019, foram 3.600 atendimentos em geriatria no CHC. Durante a pandemia, apenas os casos mais complexos seguem os atendimentos presenciais, porém os pacientes continuam tendo acompanhamento das equipes, que fazem atendimento por telefone, renovam receitas médicas e orientam sobre os cuidados a serem seguidos.

Debora relata que durante a pandemia, a população idosa em geral, tem sofrido com os efeitos do isolamento social. Isso inclui a falta de funcionalidade, pois os idosos deixam de caminhar e fazer outras atividades físicas, não convivem com a família e iniciam quadros de depressão, aumento do risco de quedas e consumo de álcool.

O medo que esses pacientes têm da Covid-19 também tem preocupado as equipes de saúde, pois pelo receio de contaminação eles deixam de procurar assistência médica e acabam por agravar quadros clínicos que poderiam ser tratados mais facilmente se fossem verificados logo no início, como uma pneumonia e infecções por exemplo.

Por isso, a geriatra destaca que ao precisar de ajuda é fundamental procurar um serviço de saúde. Além disso, a médica recomenda manter atividades físicas evitando locais com aglomerações, mas mantendo o movimento para não perder a massa muscular e funcionalidades. É importante também continuar conectado com as pessoas, mesmo que por telefone ou internet, pois isso é fundamental para o bem-estar dos idosos, reforça a médica. 

 

Saiba mais:

Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa - integra um conjunto de iniciativas que tem por objetivo qualificar a atenção ofertada às pessoas idosas no Sistema Único de Saúde. É um instrumento proposto para auxiliar no bom manejo da saúde da pessoa idosa, sendo usada tanto pelas equipes de saúde, quanto pelos idosos por seus familiares e cuidadores.

Saúde da Pessoa Idosa - ofertado gratuitamente no Google Play, pelo Ministério da Saúde, um aplicativo desenvolvido em parceria com a FIOCRUZ/BsB. Este aplicativo reúne três ferramentas para ajudar na avaliação dos idosos identificando os mais vulneráveis.