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CHC tem projeto selecionado em Laboratório de Inovação em Enfermagem

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CHC tem projeto selecionado em Laboratório de Inovação em Enfermagem

O projeto aborda a Gestão de Altas e a atuação do enfermeiro de ligação

O Complexo Hospital de Clínicas teve o Projeto Gestão de Altas contemplado na seleção para o Laboratório de Inovação em Enfermagem, que é uma iniciativa promovida pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e pela Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (OPAS/OMS).

A Comissão de Avaliação foi composta por integrantes voluntários do COFEN, da OPAS/OMS, dos Ministérios da Saúde e Educação, ABEn, CONASS e CONASEMS. Na primeira etapa foram submetidos 329 trabalhos, dos quais 39 foram selecionados. A segunda etapa selecionou 12 projetos que agora deverão receber visitas de membros da Comissão para avaliação in loco.

A intenção do Laboratório é descobrir e incentivar estratégias adotadas pelos profissionais da Enfermagem ao enfrentar os desafios do sistema de saúde como a necessidade de ampliar o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde, de melhorar a capacidade resolutiva dos serviços de saúde e da qualidade do cuidado ofertado e de reduzir custos e gastos em saúde.

 

Sobre o projeto do CHC selecionado

 

O projeto selecionado foi apresentado por Elizabeth Bernardino, chefe de Divisão de Gestão de Cuidados do Hospital de Clínicas, e é intitulado “A Atuação da Enfermeira de Ligação no Modelo CHC/UFPR de Gestão de Altas. Confira aqui.

 

O projeto teve um período de pré-implantação: de 2006 a 2010 - pesquisa de intervenção no CHC da enfermeira de ligação publicada em 2010; em 2015 – pesquisa multicêntrica sobre enfermeiros de ligação em Portugal, Canadá e Espanha sendo produzidas teses, dissertações a artigos científicos; em 2016 – nova pesquisa de intervenção – dissertação de Mestrado e artigo publicado em 2017; em 2017 - aprovação do projeto pela Superintendência, projeto piloto e apresentação nos serviços.

 

No período de implantação: até agosto de 2017 foi feita a estruturação do serviço com provimento de recursos humanos, definição de critérios de inclusão, definição de fluxos e protocolos e apresentação do serviço em órgãos deliberativos; em setembro de 2017 foram constituídos os formulários e planilhas de controle e implantação do serviço nas Unidades de Clínica Médica e Leitos de Retaguarda; em outubro de 2017 o serviço foi implantado na Maternidade e UTI Neonatal para RN (s) de risco e alinhamento ao Programa Mãe Curitibana; em Novembro de 2017, o serviço foi implantado da unidade de Nefrologia e Urologia.

Em janeiro de 2018, o serviço foi lançado nacionalmente, a SMS deu acesso e capacitou as enfermeiras de ligação do hospital ao E-saúde que é o prontuário eletrônico do município e o serviço foi implantado na totalidade das unidades do complexo.

Os principais objetivos do serviço de gestão de alta foram: estabelecer canal de ligação formal entre hospital e a rede de atenção para dar suporte a pacientes que necessitam de cuidados continuados; aumentar a resolutividade assistencial após a alta hospitalar; evitar a agudização precoce de condições crônicas; fortalecer o compromisso profissional e institucional para com o cuidado integral e o bom uso de recursos públicos e, promover o desenvolvimento de expertises e de colaboração institucional.

Os critérios de inclusão no serviço são atender pacientes com doenças crônicas de difícil manejo, que tenham necessidade de tratamento e cuidados em domicílio, em cuidados paliativos, com necessidades de cuidados especiais, com uso de dispositivos temporários ou permanentes, que necessitam de cuidados de longa permanência, questões sociais, entre outras.

Centralizado na Unidade de Regulação Assistencial (URA) do HC, a Gestão de Altas tem ênfase na enfermeira de ligação, mas pressupõe a colaboração de outros profissionais temporários, ocasionais ou definitivos com o serviço. Com o intuito de trabalhar a alta desde a internação, preconiza-se a identificação precoce dos pacientes e inclusão destes por meio da análise dos critérios de inclusão previamente definidos.

O serviço de gestão de altas prevê também, a institucionalização da contrarreferência, uma vez que após a alta hospitalar, ao realizar uma consulta em outra instituição, na maioria das vezes, as informações terapêuticas ficam por conta dos detalhes da narrativa do próprio usuário e familiares, onde a não realização de uma contrarreferência, condiciona ao risco da fragmentação do cuidado. Nesse contexto, é de fundamental importância a integração com a Diretoria de Atenção à Saúde-DAS (SMS Curitiba) e Regionais de Saúde (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná-SESA), pois quando não há um método de comunicação com o registro das informações da internação (e-mail, cópia de resumo de alta, prescrição de enfermagem e/ou nutricional, etc.) ou um contato pessoal entre os profissionais de saúde (telefone, e-mail, etc.), que atuam no distrito sanitário ao qual o usuário está inserido, poderão ocorrer situações de abandono, pois se passam vários dias após a alta hospitalar até que ele seja identificado pela Estratégia de Saúde da Família (ESF).

Neste caso, desde sua implantação, o Serviço de Gestão de Alta foi pactuado com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Secretaria de Estado (SESA), e está registrado na contratualização como uma importante ferramenta de continuidade na qual todas as instâncias têm responsabilidades e trabalham para sua efetividade.

Acredita-se que  o gerenciamento da alta hospitalar constitui uma ferramenta administrativa, direcionada a promoção de intervenções mais efetivas e planejadas numa perspectiva de integração com outros pontos de atenção à saúde, como garantia do bem-estar do usuário, promoção do autocuidado, autonomia e acesso aos recursos de saúde disponíveis, para que os usuários recuperem a saúde por meio de recursos assistenciais entre os diferentes níveis e ocorra a divulgação dos princípios e diretrizes do SUS.

No campo da ampliação da atuação dos enfermeiros foi um divisor de águas. A “enfermeira de ligação” já é conhecida e reconhecida pelo engajamento em favor dos pacientes, capacidade de reconhecer e articular os equipamentos/insumos e condições necessárias à continuidade do cuidado, participa de reuniões clínicas para discutir e consegue intervir nas altas, preocupa-se com indicadores de desempenho então está articulada também a sustentabilidade financeira. Entendemos que esta dicotomia com ampliação na atuação, sim, mas também na maneira de pensar a saúde de forma abrangente e com argumentos fundamentados é talvez um dos grandes diferenciais deste projeto.

Com quase dois anos de experiência, o Serviço de Gestão de altas coordenado por enfermeiras de ligação tem muitos dados que estão sendo processados e que estão já liberados para publicação. A partir desta experiência, outro serviço está sendo gestado que é o “Centro de cuidados e ambulatórios de transição”. Este projeto surge a partir do entendimento por toda equipe médica e multiprofissional que um investimento em promoção em saúde e em transição de cuidados é a única ação possível para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso dos pacientes em hospitais terciários.