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HC-UFG realiza Curso de Atenção Integral às Vítimas de Violências Autoprovocadas (tentativas de suicídio e automutilações)

CAPACITAÇÃO

HC-UFG realiza Curso de Atenção Integral às Vítimas de Violências Autoprovocadas (tentativas de suicídio e automutilações)

Curso é uma iniciativa do Setor de Projetos Estratégicos em Saúde do HC, em parceria com os Departamentos de Pediatria e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFG.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que o suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo. Em 2012, tornou-se a 15ª causa de mortalidade na população geral. Entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte e ocorre em todas as regiões do mundo.

As violências, incluindo as autoprovocadas, tornaram-se um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, afetando a saúde individual e coletiva, responsáveis pelo aumento na morbidade e mortalidade por estas causas, principalmente em crianças, adolescentes e jovens. Segundo informações do Datasus, as lesões decorrentes das causas externas, violências e acidentes, são a primeira causa de morte na população brasileira de 01 (hum) a 49 anos.

Dada a importância do tema, foi realizado, na manhã desta terça-feira (10/12), no Anfiteatro da Faculdade de Medicina da UFG, o Curso Atenção Integral às Vítimas de Violências Autoprovocadas (tentativas de suicídio e automutilações), promovido pelo Hospital das Clínicas (HC-UFG), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), por meio do Setor de Projetos Estratégicos em Saúde, em parceria com os Departamentos de Pediatria e de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFG.

O curso teve como objetivo capacitar profissionais, professores, estudantes e residentes da área de saúde do HC e das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, tendo em vista a implantação do Serviço de Referência às Vítimas de Violências Autoprovocadas (tentativas de suicídio e automutilações) no HC-UFG/Ebserh.

A coordenação da mesa foi feita pela médica do Serviço de Pediatria do Hospital das Clínicas da UFG e vice-chefe do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFG, doutora em Epidemiologia pelo IPTSP/UFG, Eliane Terezinha Afonso. 

O curso foi ministrado por três palestrantes. A primeira delas foi a psiquiatra e doutora Maria das Graças Nunes Brasil, que atualmente é a coordenadora do Núcleo da Infância e Adolescência (NINA) do HC-UFG e professora do Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFG.

Também ministraram o curso a psiquiatra do Programa de Transexualidade do HC-UFG/Ebserh, doutora em Ciências da Saúde pela UFG (2017), Maria Amélia Dias Pereira, que também é professora do Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e Psiquiatra do Programa Saudavelmente da UFG, e a médica Marta Maria Alves da Silva, mestre em Saúde Coletiva (Unicamp) e atualmente trabalha no Núcleo de Vigilância de Violências e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia e no HC-UFG.

Logo após as falas, foi realizado um debate com as palestrantes, aberto à participação do público.

 

HC será referência no atendimento às Vítimas de Violências Autoprovocadas

Segundo a médica Marta Maria Alves da Silva, os serviços de saúde constituem-se em um espaço privilegiado para a identificação, acolhimento e atendimento das pessoas em situação de violências autoinfligidas, caracterizando-se como local propício para o exercício da transversalidade do cuidado. “Neste sentido, o Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh, por ser um hospital de média e alta complexidade, se torna um lugar estratégico para a implantação do Serviço de Referência às Vítimas de Violências Autoprovocadas ou Autoinflingidas”, avalia.

Ainda, segundo Marta Silva, o HC-UFG também é um hospital escola da UFG, tendo com sua missão promover o ensino, a pesquisa e extensão, o que o torna diferenciado em relação à estruturação deste serviço de referência às pessoas em situação de violências.

 

Números em Goiânia

Em Goiânia, no período de 2010 a 2018, foram notificados, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação Compulsória (SINAN), 19.589 casos de violências interpessoais ou autoprovocadas. Desse total, 12.888 eram residentes de Goiânia. Dentre os residentes, 1.780 (13,8%) foram relativos à prática de lesão autoprovocada, que inclui as automutilações e tentativas de suicídio. Neste cenário, 1.141 (64,1%) dos casos foram em mulheres e 638 (35,8%) em homens.

Vale destacar que, nos últimos 5 anos, houve um aumento de 266% de notificações de lesões autoprovocadas no sexo feminino e 165% no masculino. Em 2018, foram registradas 440 notificações de lesão autoprovocada (dados extraídos em 23/08/19), dessas 382 (86,8%) apresentavam, com certeza, intenção de suicídio.

Com relação ao suicídio, foram registrados, no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), 690 óbitos por suicídio em Goiânia-GO, no período de 2010 a 2017. No ano de 2018, foram registrados, no SIM, o total de 99 óbitos por suicídio, em Goiânia.

Imagens:

Ascom do HC-UFG/Ebserh