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HC realiza Curso Serviço de Referência à Saúde dos Povos Indígenas

CAPACITAÇÃO

HC realiza Curso Serviço de Referência à Saúde dos Povos Indígenas

Curso capacitou profissionais de saúde para a estruturação e implantação do Serviço de Referência à Saúde dos Povos Indígenas

Em conformidade com a Portaria do Ministério da Saúde n.º 2.663, de 11 de outubro de 2017, que regulamenta o incentivo para a Atenção Especializada aos Povos Indígenas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital das Clínicas da UFG (HC-UFG), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), iniciou neste mês de dezembro um processo de capacitação da equipe multiprofissional do HC, de estudantes e residentes com o intuito de estruturar o Serviço de Referência à Saúde dos Povos Indígenas.

O curso, realizado no dia 16 de dezembro, foi organizado pelo Setor de Projetos Estratégicos em Saúde do HC-UFG, em parceria com os Departamentos de Pediatria e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFG, e conta com o apoio das Pró-Reitorias de Assuntos Estudantis (PRAE) e de Extensão e Cultura (PROEC) da UFG.

Segundo Leonardo da Costa Vergara, da Coordenação de Promoção de Equidade em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), a SES-GO, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, UFG e HC vêm se aproximando cada vez mais da dimensão da problemática e da complexidade que é ter um Sistema Único de Saúde e ter que prestar serviços de saúde de atenção primaria, de média e alta complexidade para a população originária do Brasil, considerando as dificuldades estruturais que foram historicamente construídas e um sistema único de saúde com muitas limitações. “Nesse momento, ver o HC entrar nesse processo como parceiro para a formação de pactuações com o Ministério da Saúde será um marco histórico para a atenção da saúde da população indígena do estado de Goiás e dos estados próximos que fazem uso dos serviços de saúde do nosso Estado”, afirmou.

O coordenador da Casa de Saúde do Índio em Goiânia (Casai), enfermeiro Eduardo Karajá, falou das dificuldades para manter a casa e para oferecer atendimento de saúde aos indígenas. “O principal problema da saúde hoje está na regulação do povo indígena. O fluxo de pessoas atendidas na Casai caiu bastante, passou de uma média de 100 pacientes mensais para uma média de 20 a 25 pessoas por mês”, declarou. Ele acredita que esse projeto do HC irá reestruturar a regulação da população indígena, que é o principal foco da saúde indígena.

A professora disse ainda que essa é uma tentativa de compreendermos melhor a especificidade, a etnia, a química, a citologia e a sociologia desses povos para avançarmos no atendimento a essa população. “Esse é um projeto do Ministério da Saúde, por meio da Portaria n. 2.663, de 11 de outubro de 2017. Portanto, o MS deve nos orientar, enquanto rede, qual será o compromisso de cada uma das unidades envolvidas: HC, Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Estadual de Saúde.

Para a diretora de Atenção Estudantil da UFG, que representou a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) da UFG, professora Camila Cardoso Caixeta, esse é um marco histórico para a UFG e o Estado de Goiás, pois a população indígena sempre viveu à margem da sociedade e encontra muitas dificuldades para ser atendida no Sistema Único de Saúde.

“É muito gratificante ver que, mesmo nesse processo de dificuldades e de desmonte de serviços, ainda conseguimos agregar tantos interesses de tantas instituições aqui representadas”, destacou. Segundo Caixeta, a população indígena da UFG está hoje em 322 alunos em cursos regulares. Somados ao Intercultural (Curso de licenciatura em Educação oferecido pela UFG aos indígenas), essa população chega a 500 indígenas nos meses de junho e julho, meados de agosto, janeiro e fevereiro.

Ela citou a importância da parceria da UFG com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, que atende, na Unidade Básica de Saúde do Campus Samambaia da UFG, os estudantes indígenas da UFG ao longo do ano. Para Caixeta, ter o Estado aqui é extremamente importante e significativo para fortalecer a atenção à saúde indígena. “E, ter o HC representado, nos coloca enquanto instituição que tem uma responsabilidade para com essa população que está sendo formada em nosso Estado, assim como nos chama a atenção para a responsabilidade do HC enquanto um hospital de referência regional e nacional ao se atentar para a saúde indígena, mesmo sabendo de toda a complexidade que é atender essa população em um hospital geral”, frisou.

 

Palestra

A primeira palestra do curso foi ministrada pelo enfermeiro do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), vinculado à Ebserh, enfermeiro Me. Glênio Alves de Freitas, que trouxe dados sobre a epidemiologia da população indígena, problemas sociais, organização da saúde indígena e fluxo de atendimento em saúde na macrorregião de Dourados, que tem a maior reserva indígena do país.

Imagens:

Ascom do HC-UFG/Ebserh