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Projeto leva qualidade de vida e lazer a usuários do CAPS

OFICINA DA DESCOBERTA

Projeto leva qualidade de vida e lazer a usuários do CAPS

Iniciativa permite que usuários descubram a cidade a partir de novas e diferentes perspectivas

O Projeto Oficina da Descoberta tem o objetivo de levar os usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do HU-UFJF/Ebserh a conhecerem diferentes lugares de Juiz de Fora através de novos olhares. A residente em serviço social do HU-UFJF/Ebserh Alessandra Coelho pontua que tais atividades desempenhadas no programa do Hospital Universitário auxiliam no processo terapêutico e quadro clínico dos usuários do CAPS, contribuindo ainda para reinserção social e visibilidade dos pacientes. “Para os usuários do CAPS, é um momento único, muito proveitoso. Eles fazem questão, cobram por essa oficina e se alegram de estar inseridos. São coisas simples, como andar de ônibus, fazer um lanche, coisas pequenas que para eles são muito importantes”, explica.

A residente em enfermagem Jéssica de Moraes Batista é integrante da oficina e uma das organizadoras do projeto. A profissional enfatiza que inicialmente os passeios eram realizados semanalmente. No entanto, atualmente as excursões são realizadas mensalmente. “Eles faziam o passeio toda semana, já fomos ao Museu Mariano Procópio, Câmara Municipal, Planetário, dentre outros locais da cidade. Este ano, nós nos reunimos toda quinta-feira para planejar o passeio, onde será, e apresentamos a eles o local através de vídeos. Também conversamos na reunião sobre transporte, horários e questões como lanche e acessibilidade”.

 

Surpresa

No mês de julho, a visita foi a uma lanchonete da cidade. A residente em serviço social destaca que o local de destino foi surpresa: “Poucos usuários já foram, pois geralmente não possuem essa oportunidade. Por isso, nós queríamos fazer uma surpresa para eles. Inicialmente pensamos em um valor simbólico para o lanche, entramos em contato com a instituição, e o dono se dispôs a fornecer gratuitamente os lanches”. 

A residente de psicologia Samantha Carvalho pontua que a interação dos usuários com outras pessoas é de extrema importância, não se limitando ao contato com os profissionais do CAPS, mas possibilitando que eles conheçam outros lugares e pessoas presentes nesses espaços. “O contato é importante não só para o usuário do Centro de Atenção Psicossocial, mas também para que as outras pessoas saibam interagir com eles. É importante ter essa visibilidade, aprender a lidar com quem é diferente”, sublinha.

No entanto, Samantha afirma que, na maioria dos locais, os usuários do Centro de Atenção Psicossocial são bem recebidos, como por exemplo no Planetário do Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Igreja São Mateus, museus, dentre outros espaços municipais.

 

Ânimo e emoção

O passeio foi um dos locais onde a recepção foi celebrada por uma alegre e grata acolhida. Jackson Willer de Carvalho Machado, proprietário da hamburgueria, fala da magnitude de realizar a ação: “A Alessandra estabeleceu contato com a gente, e logo nos propusemos a participar desta ação. A rede acredita no contato humanizado com o outro, por isso procuramos apoiar sempre atividades neste sentido. É muito gratificante participar deste momento e estar até mesmo contribuindo para a realização de um sonho. Pois, conforme a equipe do Centro de Atenção Psicossocial informou, muitas das pessoas que estão aqui nunca tiveram a oportunidade de estar nesse ambiente. Então é muito gratificante poder oferecer e participar desse momento”, celebra.

A usuária do CAPS Angelica Aparecida Marchiote revela que abraçou o momento com muita alegria e emoção: “É um momento diferente, de lazer, que me deixa muito feliz. É uma oportunidade de confraternização, nesses passeios a gente estende atividades do CAPS para fora do CAPS. A gente consegue conhecer lugares diferentes que antes não conhecíamos, isso melhora também no nosso tratamento, porque fico mais animada para frequentar o CAPS”, enfatiza.

Carlos Eduardo Miranda Dias, conhecido como Cadu, é usuário do CAPS e revela que o Centro de Atenção Psicossocial vai além do tratamento, configurando uma família, constituindo uma segunda casa. “Nós fazemos oficinas de música, leitura, pintura e outras atividades. Eu aprendo muitas coisas boas. E o dia de hoje é para comemorar e agradecer. Quando eu iria imaginar que estaria aqui comendo um hambúrguer, me divertindo com todos? É muito gratificante estar aqui. O CAPS é muito bom para nós”, pontua.

 

CAPS Liberdade

A residente em serviço social Alessandra Coelho considera a desconstrução dos hospitais psiquiátricos um momento histórico. Apontando atividades como as realizadas no projeto Oficina de Descobertas como fundamentais para recuperação e estabilidade de usuários do Centro de Atenção Psicossocial. “Muitos dos usuários que estão aqui passaram pelo processo de internação. O último que recebemos ficou 30 anos internado, e é possível perceber o quanto ele ficou limitado, como nada foi estimulado nele. Assim, esta conquista árdua de liberdade foi muito benéfica para eles, para entenderem que não estão presos. Nós costumamos dizer que é um serviço de ‘porta aberta’, eles podem querer ou não, eles possuem escolhas. O tratamento depende do usuário, da família e de nós, não é nada imposto”, declara.

 

Sobre o CAPS

Os Centros de Atenção Psicossociais (CAPS) nas suas diferentes modalidades são serviços de saúde de caráter aberto e comunitário, constituídos por equipe multiprofissional atuando sob uma ótica interdisciplinar. Realizam prioritariamente atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial. Além disso, são substitutivos ao modelo asilar.

 

Bolsista: Nayara Martins.