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Julho Amarelo: mês dedicado à luta contra as Hepatites Virais

PREVENÇÃO

Julho Amarelo: mês dedicado à luta contra as Hepatites Virais

Rogério Castro, médico hepatologista, alerta sobre o assunto e diz como prevenir

Mesmo diante de todo esse problema de saúde mundial em que vivemos, o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA) gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) não podia deixar de destacar o mês de luta contra as Hepatites Virais. Pensando nisso, a Unidade de Comunicação Social preparou uma entrevista com o médico hepatologista Rogério Castro, que atua no Núcleo do Fígado da Instituição, para esclarecer sobre o tema.  

UCS: Quais os tipos de Hepatites Virais?

RC:  As mais comuns são as Hepatites A, B e C. Nós temos também as Hepatites D e E que têm relevância clínica. Mas a mais comuns é a A, que é transmitida por via fecal/oral por meio da água e alimentos contaminados, normalmente adquirida na infância. É importante frisar que essa Hepatite não manifesta normalmente sintomas graves e 99% dos pacientes que apresentam essa Hepatite, apresentam sintomas leves e apenas a 1% apresenta uma forma aguda grave, às vezes até com a necessidade de encaminhamento para transplante de fígado.

As Hepatites B e C são transmitidas pelo sangue e a Hepatite B também é uma doença sexualmente transmissível. É importante lembrar que essas Hepatites B e C também são transmitidas por objetos que alguns profissionais, principalmente os profissionais de saúde, como odontólogos. Por isso, eles precisam ter o material adequado para fazer a desinfecção das pinças, agulhas, tudo isso deve ser descartado ou esterilizado. E alguns profissionais da área da beleza, manicures e cabelereiros, porque muitas vezes com o uso de alicate de unha e de tesoura em contato com o sangue podem transmitir.                   

UCS: Como é feito o diagnóstico das Hepatites Virais?

RC: Dispomos de vários métodos diagnósticos, temos métodos como os testes rápidos, os testes sorológicos e os testes de biologia molecular. Os testes rápidos são aqueles que normalmente nós utilizamos em campanhas para detectar rapidamente se o indivíduo apresenta infecção por determinado vírus. O teste sorológico serve como método de confirmação que demora um pouco mais de tempo o resultado. E por fim, com a confirmação da presença do RNA viral, fazemos os testes de biologia molecular.   

UCS: O fato de se ter Hepatite, precisa manifestar sintomas?

RC: Para isso precisamos dividir as Hepatites em agudas e crônicas. A Hepatite aguda, ela realmente manifesta sintomas. O paciente muitas vezes apresenta dor abdominal, desconforto abdominal, apresenta icterícia - que é aquela cor amarela na pele e nos olhos - pode apresentar diarreia, fadiga, moleza, mas é importante frisar que nem sempre o paciente que tem Hepatite vai apresentar algum sintoma nessa fase inicial da doença. No caso da Hepatite crônica o paciente não manifesta sintomas e a doença permanece evoluindo de forma silenciosa, levando com passar do tempo a formação da cirrose e do câncer de fígado. Por isso a importância de fazer os testes diagnósticos para tentar o identificar a doença mais cedo e iniciar o tratamento mais precoce. 

UCS: Como é feito o tratamento?

RC: A Hepatite A basicamente você vai tratar os sintomas do paciente. Ela normalmente é uma Hepatite leve, traz poucos sintomas e apenas uma minoria de casos, cerca de 1%, pode evoluir para um quadro mais grave que vai precisar de um transplante hepático. As Hepatites B e C hoje têm tratamentos bem definidos. A Hepatite C com as novas medicações nós conseguimos taxas de cura em mais de 90%, chegando muitas vezes até 98%, daí a importância de se fazer o diagnóstico precoce porque você tem a possibilidade de tratamento curativo. A Hepatite B tem um tratamento, só que o objetivo é o de tentar curar o vírus do paciente, infelizmente nós não conseguimos levar essa cura de fato ao paciente, mas conseguimos através do tratamento antiviral, através das medicações, diminuir bastante a carga viral, evitando a progressão da doença para cirrose e câncer de fígado.

 

Por Alexsandra Jácome e Beatriz Abrantes

Unidade de Comunicação Social do HU-UFMA