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Ação sensibiliza para a prevenção da gravidez na adolescência

MÃES ADOLESCENTES

Ação sensibiliza para a prevenção da gravidez na adolescência

Em um bate-papo com usuários, especialistas informam sobre métodos contraceptivos e a importância do diálogo familiar para a saúde reprodutiva

Estou grávida e agora? Esse é o questionamento de muitas adolescentes no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 930 adolescentes e jovens dão à luz todos os dias, chegando a mais de 434,5 mil mães por ano. Mas o que podemos fazer para colaborar com a redução desse índice? Alertar sobre os métodos contraceptivos e fomentar o diálogo familiar para que cada vez mais pessoas saibam o que é saúde reprodutiva, seus efeitos, causas e como isso pode afetar no dia-a-dia.

Sob esse olhar, o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA), por meio da Unidade de Cuidados Intensivos Perinatais e Unidade de Atenção à Saúde da Mulher, promoveu um bate-papo com mães e adolescentes, mediado pela equipe multidisciplinar composta pela médica neonatologista, Marynéa Vale, a enfermeira obstetra, Nilza Pinheiro, a psicóloga Renata Pinheiro e a assistente social, Lilia Batalha, no ambulatório de Obstetrícia e Ginecologia. A atividade é alusiva a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pelo governo federal em 03 de janeiro de 2019, por meio da Lei n° 13.798.

Na oportunidade, foram sanadas dúvidas de usuárias e acompanhantes através de um jogo de perguntas e respostas, bem como a distribuição de preservativos. No meio da roda, uma fala prendeu a atenção de todos. Rosilene Sousa, 34, mãe da Allana, 13, destacou a relevância de apoiar os filhos nesse momento. “Eu comecei a perceber que minha filha não tinha mais atitudes de menina, ela já estava se comportando como mulher, foi quando ela engravidou. Um momento desafiador para todos nós. Isso atinge muito a adolescente e é muito importante os pais apoiarem estando presentes, abrindo os olhos dos filhos e não as abandonando”.

Para a maioria das mulheres, a gestação se configura como um dos momentos mais aguardados em sua vida. Contudo, ela também pode ser inesperada e até mesmo, indesejada. Conversamos com duas usuárias que estão passando por essa situação: Deusilene Santos e Irles Silva, com 17 e 14 anos respectivamente. A primeira conta que “foi um descuido, sempre usava camisinha, mas teve um dia que acabou acontecendo sem. Com a chegada da notícia veio também o fim do namoro”. Ela complementa enfatizando que “tive muito medo de como os familiares iam pensar, reagir, mas graças à Deus eles estão comigo até hoje”.

Já a segunda, afirmou não gostar do método contraceptivo tradicional. “Eu não gosto de camisinha, por isso não usei. Quando soube no começo quis abortar, mas não tive coragem, assim tempos depois veio o Lucas com 07 meses e meio. Hoje estou há três dias aqui no hospital, aprendendo com as médicas e enfermeiras como cuidar melhor do meu bebê”.

Uma das possíveis consequências de uma gestação na adolescência é o parto prematuro. Quando isso acontece, as meninas que também passam a ser mães precisam aprender a ter todos os cuidados com a pequena vida que está sob sua responsabilidade. Dentre as orientações médicas, a neonatologista e chefe da Unidade de Cuidados Intensivos Perinatais, Marynéa Vale, reforçou sobre os benefícios do método canguru. “Esse método traz diversas vantagens para a criança e a mãe, como um maior vínculo afetivo, menor tempo de internação e riscos de infecção hospitalar, aumento da estimulação sensorial e do aleitamento materno, e garante também mais segurança aos pais na hora do manuseio do bebê”.

Ao fim da conversa, os presentes concluíram que existem inúmeras reações relacionadas a gravidez na adolescência, mas no final deve prevalecer o cuidado pela vida que chega e o carinho pelas que já estavam aqui. Dessa forma, se evidencia a importância do diálogo primário entre pais e filhos, já que a família é um pilar educacional importantíssimo para a saúde reprodutiva. É possível mudar esse cenário com informação e conscientização, o primeiro passo é simples: fortalecer a corrente da prevenção.

Por Beatriz Abrantes

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