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Comissões de Bioética e Cuidados Paliativos atuam em parceria na atenção aos pacientes

Cuidado

Comissões de Bioética e Cuidados Paliativos atuam em parceria na atenção aos pacientes

Entenda a importância dessa parceria e como elas atuam

Cuidado paliativo é uma área de atuação médica que aborda a melhoria da qualidade de vida de pacientes e de seus familiares quando enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. São tratamentos focados na prevenção e no alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, assim como na melhoria do bem-estar geral dos doentes em estado terminal, com doenças graves ou incuráveis, em internamento ou no domicílio. Esses cuidados estão crescendo cada vez mais, no entanto, as vezes surgem questionamentos relacionados a bioética (estudo sistemático das dimensões morais - incluindo visão moral, decisões, conduta e políticas das ciências da vida e atenção à saúde), e vem daí a importância da atuação da Comissão de Bioética em parceria com a Comissão de Cuidados Paliativos do Hospital Universitário da UFMA.  

Em algumas situações, intervenções, tratamentos e/ou procedimentos não levam mais a nada, em termos de alguma resposta positiva para melhora do quadro do paciente, assim, precisam ser deixados, pois geram expectativas que levam a família e o paciente a mais sofrimento, como explica o pneumologista e presidente da Comissão de Bioética, Alcimar Nunes Pinheiro “Nos cuidados paliativos, os cuidados fúteis são eliminados, pois não dão resultados e a partir daí vai se focar na dor, no transtorno psicológico que normalmente o paciente e a família tem ao receber uma notícia difícil e no conforto espiritual, qualquer que seja a sua religiosidade. Nessa etapa, o olhar técnico talvez seja menos importante do que o olhar psico-social-espiritual”.  

Ele acrescenta ainda que existe uma não aceitação, um inconformismo por parte de alguns pacientes e familiares “O não aceitamento é na maioria das vezes por acharem que ainda se pode fazer alguma coisa do ponto de vista físico, quando a medicina, naquele caso, diz que do ponto de vista físico não tem mais nada a oferecer a não ser focar em um cuidado diferente. A sociedade ainda vê esse tipo de cuidado, como se estivéssemos deixando de lado os pacientes, quando não é isso, e sim o contrário. Ele visa basicamente amenizar o sofrimento e nisso envolve todos os aspectos: dor física, psicológica e espiritual. Só que a sociedade ainda vê como se fosse um abandono ao paciente, daí surgem as divergências e questionamentos bioéticos”.

A comissão atua tentando minimizar todos esses sofrimentos, o físico também, principalmente a questão da dor, mas além disso, cuida da parte social, cultural, religiosa e se preocupa em como a pessoa gostaria de sua abordagem espiritual.

As equipes técnicas, em geral das UTIS, quando chegam a conclusão de que se trata de um paciente terminal, acionam a Comissão de Cuidados Paliativos. É realizada uma discussão conjunta para se estabelecer um protocolo. Na maioria das vezes isso flui normalmente.  Entretanto, em alguns casos a família ou o paciente não concorda com o protocolo, nesse momento entra em atuação o Comitê de Bioética, ou seja, quando surge esse impasse entre família, equipe técnica e Comissão de Cuidados Paliativos. O Comitê vai in loco acompanhar o caso, analisar, ouvir a família, ouvir a equipe de cuidados paliativos e aí tentar explicar para a família que aquele protocolo está correto.

Os Comitês de Bioética são necessariamente multiprofissionais pois é possível ter uma visão mais completa do paciente, por meio das diferentes percepções baseados na área de atuação de cada membro.  Por meio de reuniões ordinárias mensais e por demanda quando solicitada, discutem e emitem parecer de natureza recomendatória, principalmente referente a questões que envolvam o início e o término da vida de pacientes internados e/ou atendidos pela instituição

A Comissão foi instituída no hospital em dezembro de 2008 e reativada em agosto de 2019 com a atualização dos membros. É formada por médicos, psicólogos, advogados, enfermeiros, filósofo e residente. O papel da Comissão da Bioética é regulamentado pelo decreto nº 4.436, de 23 de outubro de 2002, do Ministério da Saúde.

Sobre a Ebserh

Desde janeiro de 2013, o HU-UFMA é filiado à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação que administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

 

Por Danielle Morais

 

Ascom HU-UFMA