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Psicólogo do HU diz que casos de suicídio são crescentes

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Psicólogo do HU diz que casos de suicídio são crescentes

Os números poderiam ser maiores, mas ainda existem as subnotificações.

O suicídio é o ato de tirar a própria vida, que pode estar associado a fatores de risco como depressão e abuso de drogas, incluindo o alcoolismo. O psicólogo Jakson Gama, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), afirma que o tema é sempre preocupante.

“Os números são crescentes e alarmantes. Não é à toa que profissionais de saúde mental têm pensado e se engajado em campanhas como o Setembro Amarelo, que é relacionada ao suicídio, e o Janeiro Branco, relacionado à saúde mental. Tenho observado que o número é crescente não só no Brasil, mas em todo o mundo”, comenta Jakson.

O psicólogo explica que os números de casos registrados poderiam ser maiores, mas ainda existem as subnotificações. “Um atropelamento, por exemplo, pode ser um caso de suicídio, mas não necessariamente é registrado como sendo, ou seja, acaba não entrando nas estatísticas. Sabemos que os números já são altos, mesmo que todos os casos não entrem nas estatísticas reais”, relata.

Alerta

Para ele, patologias como abuso de álcool e outras drogas, depressão e ansiedade podem estar diretamente relacionadas aos casos de suicídio. “Não podemos afirmar que necessariamente quem tem depressão vai cometer o suicídio, mas a depressão pode sim levar a ele. A pessoa pode não ter nenhum traço de doença mental e ainda assim cometer o suicídio por um impulso. É importante observar falas como ‘minha vida não tem mais sentido’, ‘se eu morrer meus problemas acabam’. Alguns sinais são bem diretos: ‘quero morrer’ é claramente uma frase suicida”, alerta Jakson.

Ele ressalta que é preciso ficar de olho em mudanças de hábitos e estar sempre atento a mudanças de comportamento. “Declarações como ‘eu não posso mais aguentar isso’, ‘você vai se livrar de mim quando eu morrer’, ‘ninguém precisa de mim’ devem chamar a atenção de quem convive com a pessoa. Existe também o mito de achar que quem fala em suicídio não vai cometê-lo, não é bem assim. É preciso ligar o sinal de alerta”, avisa.

“Agir com empatia, ouvir a pessoa, dar apoio emocional, levar a pessoa a um tratamento especializado, o popular ombro amigo, são comportamentos que podem amenizar a dor e até evitar o suicídio”, completa.

Apoio

Jakson afirma que o suicídio geralmente afeta adultos jovens, mas essa faixa etária é variável. No Chile, por exemplo, há suicídios frequentes de idosos. “Cada um tem seus pontos fortes e fracos, seu potencial de resiliência, cada caso é um caso. O apoio familiar, se for realmente bem feito e acolhedor, é essencial. Buscar um profissional de saúde mental, um especialista, é crucial nesse momento”, aconselha.

“Assim como a gente pode ter uma pneumonia, por exemplo, e precisa se internar em um hospital, é preciso ver que a saúde mental também pode levar a um internamento. Muitas pessoas resistem ao tratamento porque dizem que não são doidas, mas quando a gente percebe essa questão tem que procurar o profissional de saúde mental. São muitos os casos que não podem ser resolvidos sem auxílio profissional”, enfatiza o psicólogo.

Sobre a Rede Hospitalar Ebserh

O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS) faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.

Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país. 

Por Andreza Azevedo