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“A arteterapia é uma forma de acolher os colaboradores”

ENTREVISTA

“A arteterapia é uma forma de acolher os colaboradores”

O arteterapeuta Alexandre Silveira explica o projeto que tem sido realizado com os trabalhadores da área Covid-19.

O psiquiatra do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Rede Ebserh, Alexandre Silveira, aponta que a arteterapia usa a expressão criativa para facilitar o fortalecimento pessoal e social. Por isso, tem encabeçado oficinas de arteterapia no estar da área Covid-19 do HU-UFS. Para o arteterapeuta, a função da arteterapia é levar o trabalhador a um estado de escuta, criatividade e disponibilidade para si mesmo.

HU-UFS - Como surgiu a arteterapia no HU-UFS?

ALEXANDRE SILVEIRA - A arteterapia era parte de um projeto que tínhamos com a Sost há mais de dois anos com os colaboradores do HU-UFS, chamado “cuidando do cuidador”, que se encerrou no final do ano passado. Retomamos isso agora, em 2020, a pedido da governança, por causa da pandemia, com foco nos funcionários que estão diretamente na linha de frente na enfermaria e na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] Covid-19, somado ao plantão da psicologia para atender os colaboradores com demandas de ansiedade. A arteterapia é uma forma de acolher os colaboradores.

HU-UFS - Como funcionam os grupos de arteterapia?

ALEXANDRE - As pessoas se apresentam, cada um fala sobre como foi a trajetória para ser convocado ou voluntariado para a enfermaria ou UTI Covid-19. Também falam sobre as suas dificuldades, o medo de contaminação e de contaminar a família. Ao mesmo tempo, fala-se sobre como os profissionais de saúde têm sido colocados como heróis. As oficinas de arteterapia ocorrem no estar das equipes da UTI e enfermaria Covid-19, no Anexo Hospitalar, durante o período de descanso que eles têm. As oficinais acontecem todas as quartas e sextas-feiras pelas manhãs, de forma rotativa com quem estiver de plantão. É bom lembrar que isso não tem o objetivo de ser uma capacitação; é um processo vivencial para fazer um apoio terapêutico aos colaboradores.

HU-UFS - Além das apresentações, que outras atividades ocorrem nas oficinas?

ALEXANDRE - As pessoas são convidadas a fazer um relaxamento, a escutar uma música, dentro de uma programação específica para arteterapia. Cada encontro tem uma vivência e uma preparação com a utilização de recursos artísticos, como desenho e pintura. Depois que cada um faz a sua atividade, a gente faz um compartilhamento, seguindo a técnica da arteterapia. Embora a gente não tenha o objetivo de quantificar resultados, percebo que eles têm agradecido muito o fato de terem um espaço em que eles possam falar como estão se sentindo. Os trabalhadores choram, com muita comoção, mas também vivem muitos momentos de alegria, com risadas. Por isso, é algo para diminuir o estresse.

HU-UFS - Na sua opinião, por que é importante cuidar da saúde mental neste momento de pandemia?

ALEXANDRE - Já se comenta que os transtornos mentais serão a quarta onda da Covid-19, e os profissionais da saúde são uns dos mais atingidos por isso. Até o número de suicídios tem aumentado. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria fez uma pesquisa entre os psiquiatras e levantou que a demanda em consultórios de psiquiatria tem aumentado muito. O que queremos é evitar afastamento de funcionário e poder melhorar a qualidade do serviço prestado.

Para saber mais sobre a arteterapia, clique aqui.

Sobre a Ebserh     

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, contribuem para a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

Imagens:

Por Luís Fernando Lourenço