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Câncer de cabeça e pescoço produz 43 mil novos casos por ano, diz Inca

JULHO VERDE

Câncer de cabeça e pescoço produz 43 mil novos casos por ano, diz Inca

A doença é evitável, já que os seus principais fatores de risco podem ser controlados.

O câncer de cabeça e pescoço produz cerca de dez mil mortes por ano no Brasil, dentre os aproximadamente 43 mil novos casos anuais. Essa é a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que está em harmonia com as informações da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Alguns estudos científicos vão mais além e afirmam: em 85% dos casos, esses tumores estão relacionados com o consumo de tabaco.

Para explicar a doença, a médica cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Rede Ebserh, Janice Freitas, insiste na importância do diagnóstico precoce desse tipo de tumor, já que a sobrevivência pode ser melhorada. “No homem, esse câncer tem o segundo maior índice, na boca e na laringe, ficando atrás apenas do câncer de próstata. Na mulher, perde somente para o câncer de mama”, garante.

A recomendação é estar alerta para os possíveis sinais e sintomas: feridas na boca que não cicatrizam; manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca; dificuldade para mastigar ou engolir; irritação na garganta; perda de peso; mau hálito frequente; rouquidão por mais de duas semanas; ferida na pele que não cicatriza; e caroços (linfonodos) no pescoço. Segundo Janice, os principais sintomas estão ligados ao sítio primário da doença e, portanto, podem ser identificados por várias especialidades, como clínica médica, dermatologia, odontologia, otorrinolaringologia e oftalmologia.

Os cânceres de cabeça e pescoço mais frequentes no Brasil são os da cavidade oral, cuja incidência, que aumenta a cada ano, é de cerca de 11 mil novos casos em homens e quatro mil em mulheres. A SBCCP afirma que esses tumores se localizam, sobretudo, na língua, no céu da boca, na mandíbula, na gengiva, no maxilar e, de uma maneira geral, em qualquer parte da mucosa bucal. O câncer de laringe, que ocupa o segundo lugar em incidência, tem aproximadamente 6.500 novos casos anuais em homens e 1.100 em mulheres. “Os cânceres da cavidade oral e da laringe têm como principal agravante o diagnóstico tardio por falta de informação”, ressalta a médica.

Os principais fatores de risco dos tumores de cabeça e pescoço são o tabaco, o álcool e o vírus do papiloma humano (HPV, na sigla inglesa), além da falta de higiene pessoal. Apesar disso, “o câncer de cabeça e pescoço tem cura se diagnosticado cedo”, explica Janice. Por outro lado, quando detectados em estágios avançados, os tumores são agressivos e destinam os seus portadores a baixas taxas de sobrevivência.

O cirurgião de cabeça e pescoço tem um papel fundamental no diagnóstico precoce e para a fase terapêutica, auxiliado por outras especialidades médicas, pois controla toda a magnitude da via aereodigestiva. “No Brasil, o diagnóstico tardio é feito em 60% dos casos, deixando sequelas no paciente”, indica a cirurgiã. A especialista pontua que o tratamento deve ser multidisciplinar: participam, além do cirurgião de cabeça e pescoço, otorrinolaringologistas, endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos, foniatras, logopedistas, radioterapeutas, oncologistas clínicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e profissionais de enfermagem especializada, para tentar conseguir o melhor manejo possível do paciente. “Os tumores pequenos apresentam uma taxa de cura superior a 90%, enquanto que os de grandes dimensões ou com linfonodos comprometidos podem levar à morte pela doença”, expõe.

Rastreamento

Atualmente, não existe exame de rastreamento para tumores de cabeça e pescoço. Muitos estudos científicos dizem que a presença de uma “massa” no pescoço tende a ser o maior índice de suspeita entre os pacientes, embora os linfonodos sejam benignos em parte dos casos. “A prevenção é feita com o controle dos fatores de risco e é a melhor forma de evitar a doença”, frisa Janice, quem destaca que o câncer pode aparecer em diversas regiões da cabeça e do pescoço.

Sinais de alarme

A SBCCP recomenda ter atenção a alguns sinais e sintomas de um possível tumor de cabeça e pescoço, principalmente em pessoas consumidoras de álcool e tabaco, sempre que durarem mais de duas semanas:

  • Dor de garganta e dificuldade de engolir;
  • Dor de ouvido persistente que piora ao engolir;
  • Aparição de tumefação, úlcera ou sangue na boca;
  • Aparição de lesões brancas ou vermelhas na boca;
  • Mudanças na voz, afonia ou ronqueira.

Prevenção

De acordo com Janice, existem alguns hábitos relacionados à prevenção do câncer de cabeça e pescoço: não fumar; alimentar-se de maneira saudável; ter relações sexuais com preservativo (inclusive sexo oral); diminuir o uso de bebidas alcoólicas; ter uma boa higiene oral; proteger-se contra o sol; e fazer atividade física. “Porém, nada se compara à boa informação, que pode prevenir e induzir um diagnóstico precoce com benefícios físicos, mentais e sociais ao paciente, além de ser menos oneroso ao sistema de saúde”, opina a cirurgiã.

Sobre a Ebserh     

Desde outubro de 2013, o HU-UFS é filiado à Rede Ebserh. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, contribuem para a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

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Por Luís Fernando Lourenço