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Covid-19: mensagem da superintendente aos servidores do HU-UFS

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Covid-19: mensagem da superintendente aos servidores do HU-UFS

É tempo de ter esperança e de acreditar que dias melhores logo chegarão.

Estamos vivenciando tempos difíceis, atravessando um momento incerto, em que precisamos, independente de categoria profissional, evitar o contato humano para garantir o controle da pandemia do Coronavírus (Covid-19).

Para nós, que trabalhamos na área da saúde, esse cenário passa a ficar muito mais doloroso, pelo medo de ficar doente, de transmitir a doença para nossos familiares e de não sabermos quanto tempo exatamente isto durará. Mas não podemos deixar o medo sufocar nossas mentes. Faça dele o melhor aliado contra o vírus, tendo o cuidado na paramentação e desparamentação que podem ser treinadas e relembradas, dia após dia, nos vídeos de capacitação que estão divulgados no SIGA (intranet do HU-UFS).

Na vida, nada acontece por acaso. Escolhemos uma área em que a ciência prevalece, mas ao mesmo tempo não nos tira a capacidade de ser humano e guiado pelo afeto. Em qualquer curso da área da saúde somos treinados, desde o início, para nosso objetivo final: o bem estar de quem cuidamos.

No transcorrer dos nossos cursos ficamos angustiados questionando se fizemos a melhor escolha. Contudo, basta ver o resultado favorável de recuperação de algum paciente que cuidamos e a incerteza acaba. Vem a formação, a especialização, e, quando achamos que estamos prontos para enfrentar os desafios, aparece uma nova doença para mudar conceitos e posturas.

Tudo o que é novo pode ser inovador, mas assusta mais do que isso, temos que nos rasgar e remendar-se nas nossas posturas, conceitos e conhecimentos, como disse o escritor Guimarães Rosa. Aí o medo pode nos sufocar e entrarmos em pânico com paralisação total. O medo é necessário na concepção de racionalidade, não ter medo nenhum significa loucura ou irracionalidade.

Para os epidemiologistas, essa epidemia, assim como todas as outras, tem um tempo para acabar ou ser controlada. Aprendemos isso com as outras que já vimos ou temos notícias. Portanto, é tempo de ter esperança e de acreditar que dias melhores logo chegarão. Assim como uma noite de tempestade nos assusta e alguns podem perecer, o sol volta a brilhar inevitavelmente, e da noite tenebrosa fica apenas a lembrança.

“Devemos ir buscar a coragem ao nosso próprio desespero”. Essa frase do filósofo grego Sêneca traduz bem esse momento que estamos passando. Mahatma Gandhi escreveu: “... a força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável...”, vontade essa que tivemos que aprender a desenvolver durante os nossos cursos e na vida profissional.

Fomos convocados para uma “guerra” de combate a um inimigo invisível, independente da nossa profissão para a qual tanto nos preparamos, independente do tempo de afastamento na assistência a paciente graves emergenciais. A maior arma é a nossa inteligência e o nosso dever de profissional de saúde: a vontade de servir ao próximo.

O medo de ficar doente e de adoecer os nossos familiares deve se equilibrar à vontade de cuidar deles e de nós quando precisarmos. Portanto, citando Georges Bernanos, “a mais elevada forma de esperança é o desespero superado”.

Quero encerrar com uma frase de Martin Luther King “Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo”. Todos nós estaremos juntos! Nunca descuidem dos Equipamentos de Proteção Individual e que Deus nos proteja!

Angela Maria da Silva, superintendente do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS).