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Projeto de extensão realizado em Cajazeiras humaniza assistência a crianças com câncer

AÇÃO NO HUAC

Projeto de extensão realizado em Cajazeiras humaniza assistência a crianças com câncer

Pacientes mirins ganharam bonequinhos de crochê sem cabelos e com máscara hospitalar

Com quantos fios se faz um ato de empatia? Quantas mãos tecem a solidariedade? Crianças com câncer que fazem tratamento no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC-UFCG), da Universidade Federal de Campina Grande e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vivenciaram um momento especial esta semana: receberam de presente bonequinhos de crochê, sem cabelos e com máscara hospitalar, feitos a partir de uma técnica japonesa chamada Amigurumi.

A entrega foi feita por estudantes universitárias, que saíram de Cajazeiras durante a madrugada e percorreram 348,9 Km com o objetivo de proporcionar um alento aos pequenos pacientes. Os setores de Assistência social e Enfermagem do HUAC colaboraram para a realização da ação, realizada na terça-feira (30).

Os amigurumis, como são conhecidos os bonequinhos, foram produzidos como parte do projeto de extensão “Tecendo Sonhos”, da UFCG, que utiliza o labor artesanal como meio de reintegração de mulheres privadas de liberdade. O trabalho é realizado na Penitenciária Feminina de Cajazeiras, localizada no Alto Sertão paraibano. Para as doações realizadas no hospital, as peças foram produzidas por estudantes de Enfermagem do Campus Cajazeiras, que integram o projeto de extensão, porque as detentas estavam sobrecarregadas com outras demandas. As próximas encomendas serão feitas pelas apenadas.

Na produção das peças, a equipe envolvida no projeto de extensão teve um cuidado todo especial: fazer bonequinhos negros, brancos e pardos, para evidenciar a diversidade dos tons de pele. “Ela é um pouco mais morena do que eu, mas não tem problema”, comentou a paciente Vitória Júlia do Nascimento, 11, ao receber o presente. Maria Clara Bonfim, 3, também gostou muito da boneca que recebeu. Começou a brincar na mesma hora e deu ao amigurumi o próprio nome. “Ela é parecida comigo”, riu, ajustando a máscara hospitalar no rosto da bonequinha. Mesmo tendo 14 anos, o adolescente Wesley Sousa fez questão de ganhar o mimo, que será um parceiro na luta contra o câncer. 

“Ver o brilho nos olhos dessas crianças, das famílias, ver um sorriso no rosto de uma criança que está com dor é muito gratificante. A sensação é de gratidão”, comentou a professora Renata Diniz, orientadora do projeto de extensão. Ela disse que esse tipo de iniciativa estreita os laços entre o ambiente acadêmico e o serviço de saúde. Para a estudante Clarice Nascimento, o trabalho também é uma forma de humanização da assistência. “A gente já tinha vindo aqui e acaba se sensibilizando com a situação. Então, nossa ideia foi buscar uma forma de retribuir, porque o Hospital Universitário também é nosso campo de estágio”, disse.  

A confecção dos amigurumis ocorreu graças a uma campanha (ainda em vigor) lançada pelo projeto e que convidava as pessoas a adotar uma criança com câncer. Os benfeitores deveriam doar R$ 30, utilizados na aquisição de itens para a confecção dos bonequinhos. O projeto “Tecendo Sonhos” se sustenta por meio de doações e com as vendas dos produtos que são confeccionados pelas apenadas, incluindo bolsas, colchas de cama e toalhas de mesa. Para saber mais detalhes, acesse o perfil do projeto no Instagram (@tecendosonhos_).

REINTEGRAÇÃO SOCIAL
Segundo a coordenadora do projeto de extensão, professora Dayze Galiza, o título original do projeto é “Reintegração social por meio do artesanato: estreitando laços entre o saber/fazer de acadêmicos e mulheres vítimas de violência e apenadas”. Criado em 2018, o objetivo era trabalhar com os dois públicos, mas as atividades na penitenciária foram iniciadas primeiro.

“Por dificuldades de conseguir materiais, ficou restrito, inicialmente, ao presídio, mas aliamos a vontade de trabalhar com esse público com o interesse da direção do estabelecimento penal em diminuir a ociosidade das detentas”, disse. A professora também destacou que essa é uma forma de promover um meio de sustento para as mulheres após deixarem o cárcere. Este ano, o projeto será estendido às mulheres atendidas pelo Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram), que é um órgão da Prefeitura Municipal de Cajazeiras voltado para acolhimento, atendimento e orientação às mulheres em situação de violência.

 

Imagens:

Angélica Lúcio - Jornalista HUAC-UFCG