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Especialista alerta população para sinais do câncer de cabeça e pescoço

JULHO VERDE

Especialista alerta população para sinais do câncer de cabeça e pescoço

Prevenção dos tumores de cabeça e pescoço passa pela mudança de hábitos nocivos

Maus hábitos alimentares, tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas, incidência de raios solares sem proteção, má higiene oral e HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) são fatores de risco evitáveis para o câncer de cabeça e pescoço. Enquadram-se nesse tipo de câncer os tumores de lábios, cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e tireoide.

Neste mês, quando se realiza a campanha Julho Verde (de conscientização sobre esse tipo de câncer), o alerta para a doença se torna mais frequente. Mas a população precisa ficar atenta aos sinais durante todo o ano. É o que afirma o médico Uirá Coury, cirurgião de cabeça e pescoço e chefe de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC-UFCG/Ebserh).

Coury explica que o diagnóstico precoce faz uma grande diferença no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. “É fundamental para aumentar as chances de cura, que são superiores a 80% quando há tratamento”. Ele destaca que a prevenção dos tumores de cabeça e pescoço está diretamente relacionada à mudança de hábitos nocivos, como tabagismo e consumo de álcool, que são comprovadamente fatores de risco para esse tipo de câncer. Outro fator de risco, muitas vezes ignorado pela população, diz o especialista, é a infecção pelo vírus HPV e a prática de sexo oral sem o uso de preservativos.

Com presença ativa nas redes sociais para orientar a população sobre o tema, o cirurgião aponta a quais sinais as pessoa devem prestar atenção: aftas/úlceras/verrugas na boca; caroço no pescoço; rouquidão; dificuldade para engolir/respirar; e perda de peso por mais de 15 dias associado aos fatores citados anteriormente. Essas informações, ressalta o médico, são baseadas em orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

“Caso o indivíduo apresente esses sintomas, deve procurar ajuda médica com urgência”, afirma Uirá Coury. O chefe da Cirurgia Geral do HUAC ainda lembra que a instituição dispõe de três cirurgiões de cabeça e pescoço, mas, devido à pandemia, no momento, há dois em atividade. Seguindo as orientações estabelecidas pelos órgãos de saúde e as medidas adotadas no Hospital Universitário para o enfrentamento do coronavírus e, evitando assim, aglomerações, o mutirão do Julho Verde não foi realizado este ano. Nas ações anteriores, “o percentual de casos positivos nos mutirões foi em torno de 10% das pessoas atendidas; uma parte delas conseguiu diagnóstico e tratamento precoce”, ressalta Coury.

ALGUMAS ESTATÍSTICAS

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) dão a dimensão da importância de se orientar a população sobre o câncer de cabeça e pescoço. Segundo o Inca, esse tipo de câncer é o segundo mais incidente em homens no Brasil, com quase 20.000 casos. Além disso, o câncer de cavidade oral é o quarto mais incidente em homens na região Nordeste e o segundo na Paraíba, com 11,88 casos a cada 100.000 pessoas.

O Instituto Nacional do Câncer também projeta um aumento nos casos de câncer de tireoide: de 9.610 casos em 2018 para 13.780 ao ano no triênio 2020-2022. A combinação dos hábitos de fumar e consumir álcool aumenta em 20 vezes a chance de um câncer de cabeça e pescoço, e em 30 vezes as chances de um câncer de boca.

Sobre a Ebserh     

Desde dezembro de 2015, o HUAC-UFCG é filiado à Rede Hospitalar Ebserh. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, contribuem para a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.