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Grupo de apoio comemora 16 anos

Hanseníase

Grupo de apoio comemora 16 anos

Iniciativa, que começou em 2003 com cinco mulheres, hoje apoia 50 famílias de pacientes

As árvores localizadas na área externa do ambulatório de dermatologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) têm um significado especial para muitos pacientes. Foi ali que em 2003 algumas mulheres com hanseníase, enquanto aguardavam pela consulta, encontraram uma solução para a falta de dinheiro: produzir e vender artesanato. A ideia se transformou num projeto social, o Grupo de Apoio às Mulheres Atingidas pela Hanseníase (GAMAH), que completou 16 anos nesta quarta-feira (8).

A comemoração ocorreu no mesmo local de idealização da iniciativa, com a presença de pacientes, profissionais, estudantes e gestores do HUB. Além do tradicional lanche, servido pelo grupo todas as quartas-feiras, a ocasião contou com discursos de agradecimento. “Temos o compromisso de sermos parceiros do movimento social para construir um cuidado humanizado aos pacientes com hanseníase”, disse a superintendente do HUB, Elza Noronha.

A fundadora e presidente do GAMAH, Marly Araújo, que faz tratamento no HUB desde 2001, comemorou o crescimento do grupo. O projeto começou com cinco pessoas e atualmente apoia aproximadamente 50 famílias, incluindo não só mulheres, mas homens. “Hoje fazemos parte dos Conselhos da Mulher e de Saúde do Distrito Federal e atuamos na luta dos direitos dos pacientes com hanseníase”, afirmou. 

A aposentada Maria Rosário Santos, de 62 anos, é uma das pacientes atendidas pelo grupo. Ela descobriu a doença há quase vinte anos e reconhece a importância do projeto. “É muito bom o que a Marly faz, porque sempre que precisamos de algo ela nos ajuda”, contou. Já o mestre de obras José Hilton Rosa dos Santos, de 38 anos, recebeu o diagnóstico há apenas cinco meses. “Foi um baque, mas passei a estudar a hanseníase e a encontrar formas de viver com ela”, relatou. Vizinho de Marly, ele também já se tornou um apoiador da iniciativa. 

Conheça o GAMAH
O Grupo de Apoio às Mulheres Atingidas pela Hanseníase iniciou foi fundado dia 8 de maio de 2003 para defender os direitos das pessoas com hanseníase e melhorar a autoestima dos pacientes. A renda vem com a venda de trabalhos manuais, como bordados, biscuits, tapeçarias e bijuterias. O dinheiro arrecadado é destinado aos próprios pacientes, já que muitos ficaram desempregados por causa da doença.

O grupo também recebe doações de voluntários e conta com o apoio financeiro de sócios-doadores, que ajudam a custear as despesas de aluguel da sede do GAMAH, localizada em Planaltina (DF).

Quer ajudar ou participar do grupo? Entre em contato pelos telefones 3388-2418 ou 9 9904-8128.

Sobre a hanseníase
Doença infecciosa causada por uma bactéria, a hanseníase é caracterizada pela presença de manchas dormentes na pele, dores nos pés e nas mãos e espessamento dos nervos de braços e pernas. A transmissão ocorre pelo contato prolongado com quem tem a doença e não está em tratamento.

“É uma doença curável. O tratamento medicamentoso é longo, mas se realizado de forma correta e precoce não gera sequela nenhuma. Por isso, a principal forma de prevenção é descobrir precocemente”, explica o dermatologista do HUB, Ciro Gomes. 

De acordo com o médico, embora não se tenha dados oficiais sobre a prevalência da hanseníase na população, o Brasil é um dos países com o maior número de casos, mas enfrenta preconceito e desinformação. “A doença é negligenciada e não recebe a atenção devida, mas a Universidade de Brasília é uma das primeiras a inserir na matriz curricular da graduação em medicina a hanseníase”, relatou Ciro. 

Imagens:

Assessoria de Comunicação do HUB