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Hucam celebra Dia da Visibilidade Trans

Diversidade

Hucam celebra Dia da Visibilidade Trans

Hospital é um dos cinco no SUS a dispor de Ambulatório Multidisciplinar de Diversidade de Gênero

O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes) lançou nesta terça-feira (29/01) uma exposição de fotos e dados em homenagem ao Dia da Visibilidade Trans. O Hucam é um dos cinco hospitais do Brasil a disporem de um Ambulatório Multidisciplinar de Diversidade de Gênero (ADG), habilitado oficialmente em fevereiro de 2018, e que realiza o acolhimento, acompanhamento clínico, pré e pós-operatório, além de hormonioterapia, para promover atenção especializada no Processo Transexualizador. 

O principal objetivo do ADG do Hucam é ampliar o acesso de travestis e transexuais aos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), com garantia ao respeito e à prestação de serviços de saúde com qualidade e resolução de suas demandas e necessidades, através da promoção de iniciativas voltadas à redução de riscos e redução de danos à saúde dessa população.

“Realizamos uma reunião quinzenal com a equipe do ambulatório para discussão multiprofissional de casos que demandam mais atenção e acompanhamento, e também fazemos reuniões de atualização técnica e teórica com a temática, para nos qualificarmos na prestação de serviço à população trans”, afirmou a médica chefe da  Unidade de Atenção à Saúde da Mulher e professora da Ufes, Neide Aparecida Tosato Boldrini.

Sua equipe multidisciplinar é composta por Assistente Social, Endocrinologista, Enfermeira, Fisioterapeuta, Fonoaudióloga, Ginecologista, Infectologista, Urologista, Psicóloga e Psiquiatra, que já acolheram cerca de 200 pacientes desde a inauguração do ambulatório.

 

O atendimento

No ambulatório de diversidade é realizado o acolhimento dos pacientes e ofertadas consultas de assistente social, psicólogo, endocrinologista, urologista, ginecologista e das outras especialidades que se fizerem necessárias. Além disso, é feito um contato com a Rede de Atenção à Saúde e social para atendimento das demandas apresentadas pela população trans, e realizado atendimento às famílias, por demanda espontânea.

O trabalho da equipe multidisciplinar busca estabelecer uma relação de confiança entre profissional de saúde e usuários Travestis e Transexuais, realizando as práticas de cuidado a partir do reconhecimento do direito à diversidade e identidade de gênero. Esse trabalho visa evitar preconceitos que agravem a saúde e reduzir os problemas relacionados à saúde mental, atuando na prevenção, promoção e recuperação da saúde.

“Hoje foi minha primeira consulta aqui (no ADG) e eu não vejo a hora de começar o tratamento, minha autoestima vai melhorar. Estou com uma expectativa boa e feliz”, declarou Amy Song, estudante de dublagem de 22 anos. Amy nos revelou que esteve em tratamento anterior por duas vezes com psicólogos particulares e nos dois casos foi aconselhada pelos profissionais a não ser Transexual para que não atrapalhasse sua vida profissional e pessoal no futuro.

A mãe de Amy, Alcidéa Cavalcante, falou sobre a importância do apoio familiar para os transexuais: “eles precisam muito de apoio da gente. Muitos se trancam no quarto, se envolvem com drogas e podem até cometer suicídio, hoje em dia tem muita maldade, muito preconceito na rua. A família tem que procurar ajuda profissional para entender. Eu não quero ver minha filha triste trancada em um quarto escondida, quero ver ela livre e feliz”. Alcidéa ressaltou ainda “nessa transição da minha filha, a maior mudança foi o amor, que hoje é cada vez maior”.

 

Dados sobre os pacientes atendidos no ADG do Hucam

  • A comunidade atendida atualmente no ambulatório de diversidade de gênero é composta por 63% de mulheres trans e 37% de homens trans;
  • 97% destes pacientes utilizam nome social;
  • 38% têm idade entre 18 e 24 anos, 35% têm entre 25 e 31 anos, sendo o restante distribuído entre outras faixas etárias; 
  • Com relação a escolaridade 30% completaram o Ensino médio, 27,5% estão cursando ensino superior e 15% concluíram o Superior, revelando melhoria na política de acesso à educação;
  • Dos 47% que trabalham, apenas 27,5% tem vínculo com a previdência, os demais 19,5% podem estar no mercado informal e sem proteção previdenciária;
  • 50% residem com a família;
  • Com relação a sua etnia, raça e cor 58% se autodenominam em pardos, negros e amarelos, e 42% se consideram brancos.

Histórico do atendimento à Transexuais no Hucam

  • O Hucam inicia a realização da cirurgia Genitoplastia, sendo a primeira sido realizada em 1998, com uma equipe composta por: ginecologistas, urologista, cirurgião plástico, psicólogo e assistente social. O procedimento foi possível a partir da Resolução 1.482/1997 do Conselho Federal de Medicina.
  • Em 2014 o Hucam se reúne com o Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania da Universidade Federal do Espírito Santo (Proaeci/Ufes), entre outras entidades, para discutir a implementação do processo transexualizador, para além das 12 cirurgias de redesignação sexual mensais já contratualizadas.
  • Ainda em 2014 é formado o grupo entre Hucam-Ufes e Sesa para acompanhar a implementação do processo transexualizador, sendo inserida a participação dos Movimentos Sociais LGBT do estado.
  • Em 2015 o Hucam implementa a Comissão Intersetorial para Acompanhamento e Monitoramento da Habilitação do Processo Transexualizador no hospital.
  • Em 2018, O Hucam recebe a habilitação, por meio da Portaria nº 410, de 22/02/2018, na modalidade ambulatorial – hormonioterapia.

Imagens: