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Hospital participa de estudo para nova droga contra sífilis

Pesquisa

Hospital participa de estudo para nova droga contra sífilis

Hucam se junta a outras universidades para testar alternativa contra a doença em grávidas, que tem números alarmantes no ES

VITÓRIA (ES) - O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes) se junta a um time de universidades brasileiras para testar a eficiência de um novo antibiótico contra a sífilis em mulheres grávidas. A alternativa ao atual e único tratamento disponível para as gestantes, com uso de penicilina, é importante diante do risco de escassez deste medicamento no mercado internacional.

O estudo multicêntrico é patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Panamericana de Saúde (Opas). Médicos da OMS, representantes do Ministério da Saúde (MS) e das universidades federais de Santa Catarina (UFSC) e do Ceará (UFC) encerraram nesta sexta-feira (23/08) visita técnica de dois dias para realizar treinamentos e conhecer as instalações que serão usadas na pesquisa.

O estudo será feito com 210 mulheres nas cidades de Fortaleza (CE), Vitória e Pelotas (RS). As pacientes serão acompanhadas por dois anos. Na capital capixaba, os dados serão coletados no Hucam e enviados à Universidade Federal de Santa Catarina para análise laboratorial.

“O estudo é um ensaio clínico que será realizado pela primeira vez e que vai avaliar a eficácia do antibiótico cefixima no tratamento da sífilis precoce em mulheres. A identificação precoce dos casos de sífilis com subsequente tratamento proporcionará a eliminação de riscos de manifestações clínicas severas, reduzirá a transmissão para o parceiro e o recém-nascido e diminuirá os custos gerais com a saúde”, explica a coordenadora da pesquisa no Espírito Santo e professora do Departamento de Medicina Social da Ufes, Angélica Espinosa Barbosa, que é coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) do MS.

Atualmente, a penicilina é o único antibiótico que consegue ultrapassar a placenta e evitar a transmissão da mãe para o bebê. A doença pode trazer consequências graves de saúde para o feto, que pode nascer com surdez e danos neurológicos importantes, por exemplo.

A cefixima é um remédio utilizado mundialmente para o tratamento de outras doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia, por exemplo. No entanto, é a primeira vez que essa droga será testada para tratar a sífilis.

A visita contou com as presenças das médicas Melainie Taylor e Edna Kara, do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS, de Genebra, da técnica do MS Silvana Giozza, de Maria Alix Leito, da UFC, e de Maria Luiza Bazzo, da UFSC.

Doença

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível e também pode ser passada de mãe para filho, durante a gestação.

Ela provoca feridas na região contaminada, febre, mal-estar e manchas no corpo. A longo prazo, a doença pode causar problemas cardiovasculares e neurológicos. Se transmitida da mãe para o bebê, a criança pode nascer com problemas ósseos, deficiência mental ou cegueira, em decorrência da sífilis congênita.

O Brasil é um dos diversos países que têm números alarmantes de casos de sífilis entre homens, mulheres não grávidas e gestantes. Em 2016, o número passou a ser de 58,1 casos para 100 mil pessoas. A soma de todos os casos notificados no Brasil em 2017 é 119.800. Os dados são do Boletim Epidemiológico de Sífilis de 2018, divulgado pelo Ministério da Saúde.

No Estado do Espírito Santo, em 2017, foram notificados 3.706 casos de sífilis adquirida, 1.596 casos em gestantes e 734 casos de sífilis congênita, dos quais dois resultaram em óbito. O número de casos de sífilis adquirida apresentou um quantitativo 2,5 vezes maior se comparado aos números de 2012 (1.469). O estado possui a 2ª maior taxa de detecção de sífilis adquirida no cenário nacional, com 87,9 casos para cada 100 mil habitantes, atrás apenas do Rio Grande do Sul. O município de Vitória é a capital com a segunda maior taxa de detecção, com 190 casos para cada 100 mil habitantes, atrás apenas de Florianópolis, conforme o Boletim Epidemiológico 2017, do Ministério da Saúde.

De acordo com a OMS, a sífilis atinge mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo e sua eliminação continua a desafiar globalmente os sistemas de saúde. Entre os motivos para o aumento de casos está a falta de informação sobre a doença, que pode causar danos cerebrais irreversíveis e levar até a morte, se não for tratada com antecedência.

Sobre a Ebserh

O Hucam-Ufes faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do SUS e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Os hospitais universitários são, por sua natureza educacional, campos de formação de profissionais de saúde. A Rede Hospitalar Ebserh não é responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país, apenas atua de forma complementar ao SUS.