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Implante coclear devolve a audição a adultos e crianças

Fonoaudiologia

Implante coclear devolve a audição a adultos e crianças

Acesso ao tratamento é 100% regulado pelo SUS e encaminhado por centros de reabilitação auditiva do ES

VITÓRIA (ES) - Uma prótese de alta tecnologia, que já ganhou apelido de ouvido biônico, está devolvendo a audição a pacientes que não conseguem benefícios com aparelhos auditivos convencionais.

O serviço de ponta é ofertado pelo Programa de Implante Coclear do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam-Ufes), da Rede Ebserh, e atende tanto crianças que nunca ouviram a adultos que perderam a audição durante a vida.

O Implante Coclear (IC) é uma prótese diferente dos demais aparelhos auditivos. Uma de suas partes (feixe de eletrodos) é implantada cirurgicamente dentro da cóclea, que fica no ouvido interno do paciente. A outra parte do Implante Coclear fica ao redor da orelha da pessoa e é composta pela antena e pelo processador de fala.

O objetivo do IC é transformar os sons em estímulos elétricos que são levados para o nervo auditivo, causando a sensação auditiva no paciente. A pessoa implantada, depois de um tempo de readaptação ou reabilitação, consegue perceber os sons, inclusive o da fala humana.

Como ter acesso ao programa

Os pacientes atendidos pelo programa são 100% regulados pelos SUS e encaminhados pelos centros de referência em saúde auditiva, Policlínica Universidade Vila Velha (UVV) ou pelo Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes) também localizado em Vila Velha/ES. Em média, três novos pacientes são integrados por semana ao programa, que tem cogestão do Departamento de Fonoaudiologia da Ufes.

“É uma nova esperança para o paciente. Aqueles que já ouviram e perderam a audição tiveram uma grande limitação social no trabalho, de isolamento, e depois passam novamente a serem incluídos. Quanto às crianças, é uma oportunidade de fazê-las ouvir que vai permitir que elas se desenvolvam plenamente", resume a coordenadora do programa, a fonoaudióloga Carmen Barreira Nielsen.

Os atendimentos aos candidatos à cirurgia são realizados por uma equipe composta por profissionais da fonoaudiologia, serviço social, psicologia, neuropediatria, otorrinolaringologia e enfermagem e todos os procedimentos são previsto nas Diretrizes Gerais para a Atenção Especializada às Pessoas com Deficiência Auditiva no Sistema Único de Saúde (SUS) - Portaria GM/MS nº 2.776, de 18 de dezembro de 2014.

A seleção desses pacientes se dá após a realização de todas as avaliações, verificando assim se o paciente se enquadra ou não nos pré-requisitos impostos para candidato ao implante segundo a portaria (idade, condições audiológicas, anatômicas, psicológicas e social). O critério inicial é ter deficiência auditiva neurossensorial bilateral severa ou profunda, não ter benefício com aparelhos auditivos convencionais e condições biopsicossociais adequadas para a realização do procedimento. 

Quem passou pela seleção e já está com o implante há três meses é Kamilly Ferri, de 7 anos, moradora da Região Metropolitana de Vitória (ES). Ela nasceu surda e já consegue se comunicar por meio da linguagem oral.

“Cada palavra que ela aprende é uma vitória para a gente. Eu não trabalho fora apenas para cuidar dela. É muito gratificante ouvir uma palavra de carinho da minha filha. Faz valer todo o sacrifício”, disse a mãe de Kamilly, Lauriete Ferri.

O implante em si é uma das etapas do tratamento. Após a cirurgia, é garantido ao paciente acompanhamento para realização de revisões no aparelho. É fundamental que o paciente implantado dê continuidade à terapia para reabilitação auditiva.