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Pesquisadores identificam forma de detectar lesão cerebral

Micose

Pesquisadores identificam forma de detectar lesão cerebral

Danos causados pelo fungo ' Paracoccidioides brasiliensis' foram estudados em pacientes atendidos ao longo de 41 anos

VITÓRIA (ES)  - Uma pesquisa realizada com 24 pacientes atendidos no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes) entre os anos de 1978 e 2019 evidenciou uma nova forma de identificar, por meio de exame de imagem, a manifestação da micose progressiva causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis no tecido cerebral. A identificação desse sinal radiológico serve para evitar que as lesões da paracoccidiodomicose (PCM) – como é chamada a doença - sejam confundidas com tumores malignos no cérebro e permitam diagnóstico e tratamentos mais certeiros.

O artigo Paracoccidioidomicose do sistema nervoso central: achados de imagem por tomografia computadorizada e ressonância magnética, que já saiu na versão on-line da revista, está na edição de outubro da American Journal of Neuroradiology, uma das revistas mais renomadas na área de neurorradiologia do mundo.

O estudo foi uma parceria entre pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Ufes e o Hospital Universitário.

Micose sistêmica

O Ministério da Saúde aponta, em seu site, que a PCM é a principal micose sistêmica no Brasil. É provocada pela inalação do fungo Paracoccidioides spp. Está relacionada com o “manejo do solo contaminado” em “atividades agrícolas, terraplenagem, preparo de solo, práticas de jardinagens, transporte de produtos vegetais, entre outras”. Não há contaminação de pessoa para pessoa nem de animais para humanos. “A maioria dos indivíduos que adoeceram com a PCM apresenta história de atividade agrícola exercida nas duas primeiras décadas de vida”, indica o Ministério da Saúde.

Um dos pesquisadores, o professor de Radiologia da Ufes Marcos Rosa explica que o fungo, presente no solo, pode ser inalado e se alojar nos pulmões. A consequência mais frequente são lesões no pulmão, na pele ​e nas mucosas, mas pode atingir outros órgãos se o fungo entrar na corrente sanguínea. A doença pode levar à morte se houver demora para iniciar o tratamento.

“Em geral, os pacientes são agricultores que têm contato com o fungo. A pessoa pode desenvolver fibrose pulmonar, o que​ pode levar à insuficiência respiratória se não for tratada”, afirma o professor.

A incidência de PCM no sistema nervoso central não é tão frequente no mundo, mas, no Espírito Santo, surgem de um a dois casos por ano. “Antes dessa nossa pesquisa, havia estudos publicados com número menor de casos. Nosso artigo traz 24 pacientes”, informa Marcos Rosa.

A pesquisa apresenta os principais aspectos de imagem elencados na tomografia e na ressonância magnética dos pacientes com lesões ocasionadas pelo fungo no sistema nervoso central. Os estudos foram conduzidos em parceria entre os professores da radiologia e da infectologia da Ufes, em conjunto com o Hucam. Participaram os professores Marcos Rosa e Paulo Peçanha, do Departamento de Clínica Médica; Aloísio Falqueto, do Departamento de Medicina Social; Sarah Gonçalves, do Departamento de Patologia; e Tânia Velloso, do Departamento de Clínica Odontológica.

Com informações da Supecc/Ufes/