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Nossa história

Hospital Universitário Lauro Wanderley

 

A inauguração oficial do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW – UFPB/Ebserh) é de 12 de fevereiro de 1980. No entanto, sua história começa bem antes com a ideia da criação de uma escola médica para a Paraíba nos finais da década de 1940 pelos, então, jovens médicos Humberto Nóbrega e Lauro Wanderley. A propositura avançou com a sua formalização em reunião ocorrida na Sociedade de Medicina e Cirurgia da Paraíba no dia 25 de março de 1950 – data de fundação da faculdade, de acordo com a ata da sessão registrada no Cartório de Títulos e Documentos do 2º ofício.

A autorização para funcionamento da Faculdade de Medicina da Paraíba foi assinada pela Presidência da República em 27 de novembro de 1951 por meio do Decreto nº 30.212. Após articulações realizadas com a esfera municipal e estadual, além da Assembleia Legislativa da Paraíba, a instituição realizou a cerimônia de abertura do curso em 15 de março de 1952, no Teatro Santa Roza, em João Pessoa. A primeira sede da faculdade teve como endereço a rua Visconde de Itapiraca, ocupando, especificamente, o antigo prédio do Instituto de Anatomia Patológica. Seu primeiro diretor foi o próprio Humberto Nóbrega.

Com a existência da faculdade, veio também a necessidade da constituição de um campo de práticas hospitalares e ambulatoriais. A princípio, o ensino, no âmbito hospitalar, era ministrado no Hospital Santa Isabel, na Maternidade Cândida Vargas, no Hospital São Cristóvão e no Complexo Juliano Moreira. De forma complementar, o ensino se estendia ao Pronto Socorro Municipal, sendo referência no treinamento em urgências. A vivência prática se dava, dentre outros, no hospital São Vicente de Paulo, na AMIP, no Samaritano e no Edson Ramalho.

O que foi inicialmente concretizado como Faculdade de Medicina da Paraíba nasceu no seu primeiro documento como Faculdade de Medicina, Odontologia e Farmácia. Uma perspectiva mais ampla e integral que se consolidaria décadas depois com os diversos cursos oferecidos pelos centros de Ciências da Saúde e Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A propósito, inicialmente o curso de medicina era mantido pela sociedade civil Faculdade de Medicina, Odontologia e Farmácia da Paraíba. Em 27 de outubro de 1955, passou a integrar a Universidade da Paraíba e cinco anos depois, especificamente em 13 de dezembro de 1960, ocorreu a federalização da universidade, por força da Lei 3.053. Desse modo, a faculdade passou para a compor, juntamente com outras nove, a UFPB.

Em se tratando da experiência da universidade na gestão de uma instituição hospitalar, destaca-se o seu primeiro ensaio à frente do Hospital Clementino Fraga, que foi cedido em comodato pelo Ministério da Saúde, em 1977. De acordo com Ricardo Maia, ex-superintendente do hospital, “o processo de transição foi capitaneado pelo entusiasmo de Newton Leite, que com um punhado de jovens e ajudado pelos mais velhos como Miranda Freire e Antônio Dias dos Santos, contribuiu para a consolidação do sonho da década de sessenta. A vivência foi essencial para o delineamento dos processos e das práticas gerenciais de um hospital próprio. O conhecimento obtido foi utilizado na configuração do HULW, dada a sua inauguração.

A preocupação em melhorar as condições hospitalares a serviço do ensino e a discussão a respeito de um hospital para a prática foi permanente nas gestões de Atílio Rotta e Guilardo Martins, diretor da Faculdade de Medicina e reitor da UFPB, respectivamente. Somado a isso, levou-se em consideração a necessidade de integrar num só ambiente as atividades teóricas e práticas. Para tanto, seria indispensável um equipamento que tivesse o dimensionamento adequado para o porte de um hospital universitário.

Muitas foram as ideias e as articulações realizadas por Atílio e Guilardo. Segundo Ricardo Maia, “o reitor Guilardo foi até Brasília para tentar angariar recursos para um hospital próprio, cuja planta apresentava um projeto redondo, com quatro raios e em quatro pisos, nem grande nem pequeno, na medida certa das necessidades”. Em razão da não aprovação do projeto pelo governo federal, lhe foi apresentado outro, que configura o atual HULW. “Conversas da época aludiam que o projeto do nosso atual HU estava pronto em Brasília para ser um hospital do INAMPS, em Londrina”, contou Maia.

Com recursos escassos, a obra, que foi iniciada em 1968, foi realizada em etapas e durou cerca de 12 anos (considerando a data de sua inauguração) permeando três reitorados - o de Guilardo Martins (1964-1971), o de Humberto Nóbrega (1971-1975) e o de Lynaldo Cavalcanti (1976-1980).

  • Na primeira etapa, foram feitas as fundações e estruturas de concreto armado, durando dois anos (1968-1970);
  • Na segunda fase, ocorreu a construção do ambulatório pelo período de cinco anos (1970-1975), parte horizontal do projeto – que recebe o nome de Professor Antônio Dias dos Santos e foi ativado em 1975. O primeiro serviço a funcionar foi o de Medicina Nuclear e, em seguida, o ambulatório de Cardiologia. “Na segunda etapa, se o hospital não tivesse sido construído por administração direta não o teríamos na data em que ocorreu a inauguração”, disse Maia. Essa informação foi obtida por meio de conversas tidas por ele com Newton Leite, Guilherme Pedrosa e Arioaldo Alves da Silva - equipe que trabalhou na construção do hospital.
  • A terceira etapa da construção permitiu a finalização de parte considerável do prédio vertical e a inauguração oficial do Hospital Universitário. A finalização de algumas áreas inacabadas, a exemplo da administrativa, se deu ao longo dos anos seguintes.

O nome do hospital é uma homenagem ao professor Lauro dos Guimarães Wanderley (1900-1968), um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Paraíba. Ele foi vice-diretor (1961-1963) e diretor (1964-1968) da Faculdade de Medicina da UFPB, além de fundador da disciplina de obstetrícia e ginecologia.

Localizado no Campus I da UPFB, em João Pessoa, o HULW compreende um conjunto arquitetônico moderno de cerca de 44 mil metros quadrados, sendo um órgão suplementar da Universidade Federal da Paraíba. Desde 2013, o hospital integra a rede de hospitais Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Tem a configuração de hospital-escola e uma missão especial: prestar assistência integral, ética e humanizada à comunidade, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Como campo de prática, o HULW visa à excelência da formação de profissionais de saúde e de outras áreas do conhecimento.

Desde a ativação do ambulatório, o número de superintendentes à frente do HULW chega a nove:

  • Newton de Araújo Leite: de 1976 a 1981 e de 1988 a 1992;
  • Luiz Lindbergh Farias: de 1981 a 1985;
  • Ricardo Antônio Rosado Maia: de 1985 a 1988;
  • Josimar Meirelles da Cunha: de 1992 a 1996;
  • Gessé Gomes Meira: de 1996 a 2003;
  • João Flávio Paiva: de 2003 a 2010;
  • João Batista da Silva: de 2010 a 2013;
  • Arnaldo Correia de Medeiros: de 2013 a 2017;
  • Flávia Cristina Fernandes Pimenta: de 2017 até o momento.

Ao longo dessas quatro décadas, o HULW vem trabalhando para a formação de profissionais que respeitem a dignidade humana e sejam agentes transformadores da sociedade. O hospital-escola é campo para estágios obrigatórios, visitas técnicas e atividades teórico-práticas dos estudantes de graduação, pós-graduação e de ensino técnico.

Atualmente, o hospital conta com um quadro funcional de 2.000 colaboradores nas áreas médica, assistencial e administrativa. Trata-se do nosso ativo mais importante e que faz o hospital ser o que é hoje.