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Consultório itinerante de oftalmologia comemora a doação da milésima armação de óculos pela comunidade

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Consultório itinerante de oftalmologia comemora a doação da milésima armação de óculos pela comunidade

A união faz a força, já diz o ditado popular. E foi graças a união da comunidade local que um importante projeto desenvolvido no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) continua atendendo, a população. Criado há 4 anos, no ano passado, o projeto do Consultório Itinerante de Oftalmologia – que atende crianças e adultos de 52 escolas públicas de Santa Maria e região – corria risco de suspender as atividades por falta de armações e lentes para confecção de óculos de grau. Por iniciativa da Gerência de Atenção à Saude, por meio da coordenadora do projeto, Helena Noal, uma campanha de arrecadação de armações foi lançada. Em nove meses, a população doou 1 mil óculos usados.

- Agradecemos a adesão da comunidade e das empresas que mobilizaram seus funcionários, arrecadaram armações e trouxeram até o hospital. Lembramos que a campanha continua – afirma a enfermeira Helena Noal.

A arrecadação de óculos usados segue por tempo indeterminado, porque não são todas as armações doadas que são reaproveitadas no projeto. Parte delas – as que usam fio de náilon para prender a lente - são destinadas para entidades beneficentes. É que a máquina usada para preparo e recorte da lente no Husm não tem como fazer a canaleta e fixar a lente nesse modelo. Além disso, esse modelo não seria o mais seguro e resistente para ser usado pelo público infantil.

- Das doações recebidas da comunidade, o que não conseguimos aproveitar com as crianças, devido ao tamanho ou ao modelo, doamos para pacientes adultos do próprio hospital que consultam no ambulatório de oftalmologia ou para instituições de caridade – explica a médica oftalmologista Márcia Abelin, que atende no projeto.

Desde 2015, o consultório itinerante realizou 2.803 consultas e já entregou nas escolas 1.892 óculos prontos. Quem tiver óculos sem uso em casa, pode entregar no próprio consultório itinerante ou na Unidade de Comunicação do HUSM, localizada no andar térreo, ao lado da portaria principal.

- Outra parceria que temos, que contribuiu para que atingíssemos esse resultado, é com a Associação Amigos do HUSM. Nós fazemos campanha para juntar tampinhas plásticas e a associação colaboram com recursos para comprar as lentes – explica a enfermeira Helena Noal, coordenadora do projeto no HUSM.

O público-alvo do Consultório Itinerante de Oftalmologia são crianças em idade escolar e adultos, que fazem parte do Programa Brasil Alfabetizado (PBA). Os agendamentos das consultas acontecem via coordenação da escola.

Os óculos são confeccionados pela técnica em Ótica, Adriéli Delavi Freitas. Um dos aparelhos que ela utilizado nesse trabalho é o pupilómetro, que serve para medir a distância naso pupilar.

- Essas medidas, quanto mais exatas, melhor vai ser a adaptação da criança com os óculos – explica Adriéli.

Essas medidas são digitadas em outra máquina, que vai levar em consideração para o recorte da lente. Após o recorte, é só encaixar a lente na armação e os óculos estão prontos para o uso.

Uma das crianças beneficiadas com o projeto foi a pequena Pâmela, 10 anos. No final de fevereiro, a menina - aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental Euclides da Cunha, na Vila Carolina – retornou ao HUSM. Há dois anos ela usa óculos. O diagnóstico foi feito pela equipe do consultório itinerante e desde então, uma vez por ano, ela retorna ao hospital para fazer a revisão.

- Onde estão os óculos? – Pergunta a médica, ao verificar que a menina não estava usando.

Ela tirou, imediatamente, do bolso e entregou nas mãos da doutora, enquanto justificava que caiu um parafuso da armação e ele não fixava mais no rosto.

- Queixo para baixo e testa na coroa da princesa – orientou Márcia, enquanto a menina se posicionava no aparelho autorefrator, usado para análise do olho e obter o grau próximo que o paciente irá precisar.

Já em outra cadeira, com um olho tapado, ela seguiu os testes tentando ler as letras exibidas na tela da televisão, que eram, estrategicamente, reduzidas de tamanho, para testar o alcance ocular. Repetiu o mesmo teste com o outro olhinho e, depois, sentou novamente para dilatar a pupila, para fazer o teste das lentes e esperar o resultado. Boa notícia: o grau da lente regrediu. Quinze dias depois, a garota já estava frequentando as aulas com os óculos novo feito pela equipe do hospital.

Fotos: Júlia Goulart, acadêmica Curso de Jornalismo da UFSM e bolsista da Unidade de Comunicação do HUSM.

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