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Mutirão usou equipamento de maior precisão para identificar lesão ocular em crianças com toxoplasmose

Sequelas permanentes

Mutirão usou equipamento de maior precisão para identificar lesão ocular em crianças com toxoplasmose

O surto de toxoplasmose que atingiu a população de Santa Maria no início de 2018 ainda apresenta consequências para a saúde da população local. Em um mutirão realizado nos dias 21 e 22 de outubro, profissionais do ambulatório de oftalmologia do Hospital Universitário de Santa Maria confirmaram, através de um exame inédito pelo Sistema Único de Saúde na região Central que a maioria das crianças que adquiriram toxoplasmose congênita tiveram lesão ocular. E, muitas delas, estão com a visão seriamente comprometida. O atendimento foi realizado em parceria com o Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia (Ipepo) e a empresa Advance Vision, também de São Paulo.

As crianças com toxoplasmose congênita foram acompanhadas no hospital Universitário, trimestralmente, pela oftalmologista Dr.a Aline Reetz Conceição, durante o primeiro ano da criança. Apatir de agora, o atendimento será semestral.

Em abril desse ano, houve uma triagem de pacientes com toxoplasmose congênita - com e sem lesões oculares - realizada pela equipe do Ambulatório de Oftalmologia e pelos profissionais do Ipepo. 

Das 19 crianças agendadas para o mutirão de outubro (18 com toxoplasmose congênita e 1 com toxo adquirida), 4 faltaram a consulta e uma, que não estava na lista mas tinha toxoplasmose congênita confirmada mas sem lesão ocular, foi incluída no atendimento. A maioria delas apresentou lesões bilaterais (nos dois olhos) mas  extra foveal (fora do centro da visão).

Um dos oftalmologistas do Instituto da Visão/IPEPO, o médico João Rafael Dias, presente no primeiro mutirão retornou e, dessa vez, trouxe o apoio da empresa Advance Vision, que forneceu de forma gratuita o equipamento portátil RetCam. O retinógrafo importado dos Estados Unidos tem um custo de cerca de R$ 400 mil e o exame, de aproximadamente R$ 1mil. Mas no HUSM foi ofertado de graça, sem custo algum para a população.

O exame, é rico em detalhes porque permite uma visão ampliada da retina. Enquanto o exame tradicional com o oftalmoscópio (usado no primeiro mutirão) permite visualizar um ângulo de 30 graus, no do RetCam é possível visualizar 130 graus. O exame dura cerca de 20 minutos e é feito com o auxílio de uma pequena câmara que, aproximada da retina, emite imagens de alta resolução para a tela do computador, visualizada em tempo real pelos médicos.

- É muito usado em crianças, desde prematuros porque os pequenos não ficam parados para realizar o exame convencional e, com esse equipamento, a área visualizada é muito maior – explica o oftalmologista.

Essas crianças serão acompanhadas pelo hospital por, pelo menos 5 anos, até saberem se comunicar. Como muitas delas estão recém aprendendo a falar, fica difícil identificar até que ponto a lesão está prejudicando seu campo de visão. Esse período de monitoramento é fundamental porque a lesão, mesmo depois de cicatrizada, por reativar e aumentar a área afetada. Contudo, os médicos são claros: Não há cirurgia que possa recuperar essa perda visual, porque o protozoário queimou essa parte da retina. Os pais devem ficar atentos aos estrabismo e desvio dos olhos.

–  Na criança não-verbal, que ainda não fala, o que vai acusar? A baixa visão. Dá uma turvação na visão e a criança não sabe dizer. Então vamos acompanhar – explica o médico o oftalmologista do IPEPO.

Durante o surto de toxoplasmose, o Ambulatório de Oftalmologia do HUSM chegou a examinar 40 casos suspeitos de toxoplasmose congênita por mês. Até o mês de setembro, chegavam cerca de 6 casos por mês, o que ainda representava o dobro, se comparado aos 3 casos habituais mensais, antes do surto. A partir do mês de outubro, percebe-se  que o atendimento vem entrando dentro da estatística normal.

 

 

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