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HUWC e Faculdade de Medicina da UFC oferecem ações de assistência e educação em saúde a pessoas em situação de rua

COMBATE À COVID-19

HUWC e Faculdade de Medicina da UFC oferecem ações de assistência e educação em saúde a pessoas em situação de rua

Fortaleza, 13 de junho de 2020 – Professores da Faculdade de Medicina (cursos de Medicina e Fisioterapia) da Universidade Federal do Ceará (Famed/UFC), médicos especialistas, residentes e acadêmicos em estágio de internato do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC/Ebserh) e de outras instituições de Fortaleza realizaram, na manhã deste sábado (13), na Praça do Ferreira, ações de assistência e educação em saúde para 60 pessoas em situação de rua e que não têm acesso a esse tipo de serviço. Situação que se agrava ainda mais em tempos de pandemia do novo coronavírus.

 

Conforme explicou o Prof. Marcos Rabelo, do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC, preceptor do Programa de Residência em Otorrinolaringologia do HUWC e um dos coordenadores da ação deste sábado, “a ideia surgiu no Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da Famed. Nesse comitê, o Grupo de Trabalho Saúde das Populações Vulneráveis desenvolveu um projeto com foco nas pessoas em situação de rua. Esta é a nossa primeira ação assistencial com moradores de rua. Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados”.

 

“Quando os cursos de saúde da UFC e o Hospital Universitário realizam atividades dessa natureza, para além dos muros da instituição, indo até a comunidade, conseguimos aliar ensino, pesquisa e assistência de uma forma mais prática e próxima da realidade das pessoas que estão em formação acadêmica conosco e daquelas que precisam de assistência em saúde. Necessidade que se torna ainda mais urgente nesta pandemia de covid-19”, alertou Arnaldo Peixoto, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Walter Cantídio e integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, do qual o HUWC faz parte.

 

Equipe multidisciplinar

 

Além do Prof. Marcos Rabelo, participaram da ação deste sábado docentes dos departamentos de Cirurgia, Saúde Comunitária e Medicina de Saúde da Família e Comunidade da UFC, Profa. Luzete Costa, Prof. Alberto Novaes Ramos e Prof. Marco Túlio; médicos especialistas, residentes de Medicina de Saúde da Família e Comunidade e acadêmicos de Medicina em estágio de internato do Hospital Universitário Walter Cantídio e de outras instituições, como a Universidade de Fortaleza, a Escola de Saúde Pública e o Hospital Infantil Albert Sabin; a endocrinopediatra Ana Paula Montenegro, da Pediatria do HUWC; as professoras Renata Bessa Pontes e Vilena Barros de Figueiredo, do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará; e grupos de arte-educação parceiros da Famed/UFC.

 

Uma das beneficiadas foi Cleciane de Castro Vidal, de 35 anos e que há cinco faz das ruas a sua morada. Além de receber máscara e medicação para combater uma dor de cabeça persistente, Cleciane passou por uma avaliação clínica e recebeu encaminhamento para o Posto de Saúde Paulo Marcelo, no Centro, para constatar a gravidez de três meses e dar início ao pré-natal. “Pode deixar que eu vou fazer exatamente o que o médico disse. Encontrei o amor da minha vida, vamos ter um filho e mudar de vida”, disse.

 

Para o Prof. Marco Túlio, que também coordenou a ação, além da educação e da assistência em saúde, mutirões como esse permitem aos profissionais de saúde a função social de alertar às populações vulneráveis de que elas, mesmo sem residência fixa e documentos, têm acesso a serviços básicos, como o de saúde. “Muitos foram encaminhados ao sistema público de saúde, seja no HUWC seja em uma das unidades básicas de saúde de Fortaleza. Quando essas pessoas teriam uma oportunidade como essa se não fosse por essa nossa força-tarefa? Essa realidade precisa mudar”, refletiu.

 

Novas experiências

 

Foi a primeira experiência de atendimento em praça pública para o residente em Medicina de Família e Comunidade da UFC, Miguel Mayer Vaz, que, com muita paciência e cuidado, esforçou-se para se fazer entender para os pacientes atendidos em frente à Coluna da Hora. “É como fazer uma visita domiciliar, já que essas pessoas moram nas ruas. Oportunidades como essa nos aproximam muito da realidade desses homens e mulheres e nos ajudam a entender o contexto e a pensar numa terapêutica mais adequada”, avaliou.

 

Com perda de visão progressiva por conta de uma ceratocone, doença que afeta a córnea, Daniel Santos Rodrigues, de 42 anos, é morador da Praça do Ferreira há 3 anos. Aproveitou a ação para tentar encaminhamento à rede pública de saúde. “É tão difícil a gente conseguir as coisas nesta situação de rua. Quando aparece algo assim, tão perto de nós, não podemos deixar de aproveitar. Eu tenho fé de que vou conseguir”, disse, cheio de expectativas. E deu certo!

 

Sobre a Rede Ebserh

 

O Hospital Universitário Walter Cantídio faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde novembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

 

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Os hospitais universitários são, por sua natureza educacional, campos de formação de profissionais de saúde. A Rede Hospitalar Ebserh não é responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país, apenas atua de forma complementar ao SUS.

 

Imagens:

Unidade de Comunicação Social do HUWC