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Hospital Universitário Walter Cantídio implanta primeiro “ouvido biônico”

PROCEDIMENTO INÉDITO

Hospital Universitário Walter Cantídio implanta primeiro “ouvido biônico”

O Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, realizou hoje (25/04) o primeiro implante coclear da sua história. Popularmente conhecido como “ouvido biônico”, trata-se de um equipamento eletrônico computadorizado que substitui a função do ouvido interno de pessoas que têm surdez total ou quase total. A beneficiada foi a agricultora Maria Liduína de Castro Alves, de 33 anos, de Capistrano, município localizado na região do Maciço Baturité, interior do Ceará.

A consultora de beleza, Luciana de Castro Alves, de 29 anos, conta que os primeiros sinais de que a irmã estava perdendo a audição apareceram há cerca de 12 anos. “Dois anos depois, a perda foi brusca”, lembra Luciana. Por conta de uma série de dificuldades, Maria Liduína não conseguiu tratar o problema, que se agravou a tal ponto de ela precisar de aparelho auditivo para ouvir. Mas, como a perda auditiva já estava em estado bastante avançado, o aparelho pouco ajudou. “Agora, com o implante, é como se ela nascesse de novo”, conta, emocionada.

De acordo com o chefe do Serviço de Otorrinolaringologista do HUWC, André Alencar Araripe Nunes, o implante estimula diretamente o nervo auditivo por meio de pequenos eletrodos que são colocados na cóclea, estrutura do ouvido interno em forma de caracol que converte a energia mecânica do som em estímulos elétricos. Esses sinais, por sua vez, são levados ao cérebro pelo nervo auditivo. Marcos Rabelo de Freitas, também otorrinolaringologista e Professor da Faculdade Medicina da UFC, acrescenta que o implante coclear tem sido utilizado para restaurar a função auditiva nos pacientes portadores de surdez severa a profunda que não se beneficiam com o uso de próteses auditivas convencionais.

Desde 2005, o Hospital Universitário Walter Cantídio tentava credenciamento com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) para habilitação do programa de implante coclear, que permite que o Sistema Único de Saúde (SUS) cubra os procedimentos realizados no HUWC. Além do HU, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) realiza o procedimento. Atualmente, 55 pacientes já atendidos no Hospital Universitário são candidatos ao procedimento, entre crianças, adolescentes e adultos. Só depois de zerada essa fila, será possível receber pacientes encaminhados pela Central de Regulação do Estado.

O implante coclear é um procedimento que requer o envolvimento de uma equipe multiprofissional – otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e técnicos de enfermagem, neurologistas, pediatras, geneticistas e médicos radiologistas. São especialistas que participam desde a triagem dos pacientes aptos ao procedimento, passando pelo ato cirúrgico em si, até o acompanhamento pós-cirúrgico. No caso da paciente de Capistrano, a internação ocorreu um dia antes da cirurgia e a alta hospitalar, já no dia seguinte ao implante.

Durante o procedimento cirúrgico, foi implantado o chamado componente interno – formado por um feixe de eletrodos – dentro do ouvido do paciente. Esse feixe se conecta a um receptor, que foi colocado por baixo da pele, atrás da orelha. Junto ao receptor ficam a antena e o imã, que servem para fixar o componente externo e captar os sinais elétricos. “No fim de maio, a paciente vem para ativar o implante, quando será colocado o componente externo (composto de processador de fala, antena transmissora e microfone), que capta o som do ambiente e leva até o nervo auditivo”, explica a fonoaudióloga Alessandra Teixeira Bezerra de Mendonça.

 

Ainda de acordo com os otorrinolaringologistas André Alencar e Marcos Rabelo, além de oferecer uma melhor qualidade de vida ao paciente submetido ao implante, que, em muitos casos, reaprende a ouvir e a falar, a habilitação do HUWC vai ajudar o Estado a dar vazão à fila de pacientes que esperam por esse tipo de procedimento e ainda será um campo rico para ensino e pesquisa, ajudando na formação de residentes médicos e multiprofissionais.
Segundo dados do Grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o implante coclear já beneficia mais de 400 mil pessoas no mundo, sendo contabilizados cerca de sete mil usuários somente no Brasil.

Sobre a Ebserh

O Hospital Universitário Walter Cantídio faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde novembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

Jornalista responsável: Ludmila Wanbergna
Unidade de Comunicação Social
Hospital Universitário Walter Cantídio
Complexo Hospitalar da UFC
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
comunicacao.huwc@ebserh.gov.br | (85) 3366.8183