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Pesquisa da MEAC é premiada com o melhor trabalho em encontro nacional da Anvisa

REDE SENTINELA

Pesquisa da MEAC é premiada com o melhor trabalho em encontro nacional da Anvisa

O relato de caso, multidisciplinar, destacou a importância da tecnovigilância como suporte às compras hospitalares e o foi escolhido entre 112 estudos de todo o Brasil.

A tecnovigilância, processo em que usuários e profissionais de hospitais avaliam os produtos de saúde comercializados, tem sido um dos maiores focos de atenção na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC/UFC/Ebserh). A segurança do paciente é fundamental para que sua assistência tenha qualidade e sua alta seja rápida e efetiva. O que o trabalho premiado no 17º Encontro Nacional da Rede Sentinela (Anvisa e Hospital Sírio Libanês) demonstra é que a compra responsável não é, necessariamente, aquela mais barata, mas a mais correta. 

Intitulado “Tecnovigilância como apoio à gestão na decisão da aquisição qualificada de produtos: relato de caso”, o trabalho descreve uma pesquisa que avaliou custos e benefícios na compra de curativos para cateter central (PICC). Os autores Assuero Meira, Clevanice Norte, Roberta Pinheiro e Eugenie Neri partiram das notificações de que determinado produto adquirido não tinha a durabilidade desejada, aumentando a necessidade de substituição. É sabido que cada troca eleva a exposição ao risco de contaminação e o consumo. “Constatamos que adquirir o produto mais barato nos estava saindo duas vezes mais custoso que se comprássemos o produto semelhante de outra marca, que tem o custo unitário mais caro. Isso porque, devido à melhor fixação, este aguentava até 14 dias, sendo removido apenas quando por indicação clínica, ao contrário do mais barato, que se soltava sozinho em poucos dias”.

Para chegar a essa constatação, a equipe, composta por profissionais do Setor de Gestão da Qualidade e Vigilância em Saúde(SGQVS), da Unidade Neonatal e da Unidade de Produtos e Suprimentos, desenvolveu uma metodologia baseada nos seus registros e na literatura, capaz de avaliar o desempenho dos produtos e seu custo financeiro real para a instituição, com parâmetros técnicos, descartando avaliações subjetivas. Para tanto, foram definidos dois grupos, de dez recém-nascidos cada, na UTI neonatal. Em um grupo permaneceu-se usando os curativos que haviam sido notificados e estavam sob investigação técnica. No outro grupo, foi aplicado o curativo de custo aquisitivo mais alto. A conclusão foi que a compra vantajosa é a que melhor relaciona preço e qualidade. “Devemos buscar o menor custo com qualidade e segurança, que não submeta o paciente a riscos, incidentes, infecções, aumentando o tempo de internação pelo uso de produtos que não foram amplamente avaliados tecnicamente”, explica o Dr. Assuero Meira.

O estudo comparativo foi todo acompanhado de perto pelo fornecedor licitado que, participando, pôde constatar as limitações de seu produto. Os resultados possibilitaram comprovar aos gestores administrativos do hospital o quanto o produto mais barato era desaconselhado, tanto em prolongamento da estadia do paciente, quanto a custos financeiros de reposição mais frequente.

A MEAC ganhou ainda uma visita técnica de três dias à Anvisa, em áreas relacionadas com o trabalho da Rede Sentinela, com todas as despesas pagas para um dos autores do trabalho, além de 20 vagas, a qualquer tempo, entre os cursos oferecidos pela Anvisa aos serviços de saúde credenciados à Rede Sentinela.

A chefe do SGQVS, Dra. Eugenie Néri, comemora o reconhecimento da Anvisa. “Para nós, esse prêmio nos diz que estamos no caminho certo na prevenção de incidentes em saúde e que cada ação que fazemos para salvar vidas vale a pena. Porque a nossa razão de existir como vigilância é evitar danos e mostramos como fazer isso com ações cotidianas”, disse. “Esse prêmio demonstra duas das mais fortes características da MEAC: o cuidado do paciente como o centro de seus esforços e o trabalho em equipe, sempre presente nas suas boas práticas”, completou o superintendente do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, Prof. Luciano Moreira.

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